02 de junho, 2005 - 02h56 GMT (23h56 Brasília)
Mais de 85 crianças com idades inferiores a 12 anos foram incluídas entre as novas 1.201 pessoas identificadas como vítimas de tortura ou prisão política durante o regime militar do general Augusto Pinochet no Chile (1973-1990) que têm direito de pleitear indenização do governo, disse o presidente chileno, Ricardo Lagos.
Segundo fontes da comissão criada pelo governo para revisar o tema, a maioria das crianças foi presa junto com os pais e algumas delas disseram ter sofrido tortura, de acordo com a agência de notícias AFP.
Os nomes se somam aos de mais de 28.000 vítimas arroladas em lista divulgada em novembro passado pela comissão.
O presidente Lagos disse que é difícil imaginar uma situação em que crianças, bebês e até mulheres grávidas foram vitimadas. "Pedir perdão em nome do Estado parece muito pouco", afirmou ele.
A comissão reavaliou milhares de pedidos de reparação apresentados e rejeitados inicialmente.
Algumas pessoas conseguiram fornecer novas informações ou, no caso de crianças, alguns pais adicionaram informações sobre elas a seu depoimento original, segundo o correspondente da BBC na capital chilena, Santiago, Clinton Porteous.
A maioria dos arrolados receberá uma pensão de cerca de US$ 200 por mês.
Lagos disse que a apresentação do segundo e último relatório da comissão, que incluiu a nova lista de vítimas que podem pleitear reparação, marcou o fim do processo.
O esquema de indenizações recebeu amplo apoio político e, em dezembro passado, o Congresso chileno aprovou legislação para esse fim em tempo recorde.
Pinochet enfrenta acusações de violações de direitos humanos realizadas durante o seu governo quando, estima-se, mais de 3.000 pessoas foram mortas ou desapareceram.