01 de junho, 2005 - 09h55 GMT (06h55 Brasília)
Grupos de esquerda da Bolívia anunciaram que vão intensificar seus protestos e bloquear as principais estradas do país nesta quarta-feira.
Na terça-feira, milhares de manifestantes, que querem a nacionalização da indústria de petróleo e gás natural do país, pararam o centro de La Paz.
Os protestos impediram a chegada de parlamentares ao Congresso do país, que foi obrigado a suspender sua sessão por falta de quórum.
A sessão tinha o objetivo de discutir propostas controvertidas de autonomia regional e instalação de uma Assembléia Constituinte.
'Complô'
Os manifestantes querem a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, mas expressaram sua rejeição às intenções separatistas de alguns setores nas províncias do país, inclusive do leste e sul, onde estão boa parte das reservas de petróleo e gás natural do país.
Eles alegam que leis que entraram em vigor há pouco tempo e aumentam o imposto pago por empresas estrangeiras da área energética não são suficientemente rigorosas.
As manifestações desta terça-feira foram as maiores desde que Carlos Mesa assumiu a Presidência do país em outubro de 2003, quando uma revolta popular derrubou seu antecessor, Gonzalo Sánchez de Lozada.
O governo da Bolívia pediu às partes que mantenham o diálogo e advertiu para um complô contra a democracia no país.
Na segunda-feira, Mesa disse que a intenção do que chamou de "grupos minoritários" era impedir que continuem as atividades do Legislativo.
"O fechamento do Parlamento nacional é um golpe de Estado, não existe democracia sem Parlamento", disse o presidente boliviano.
Também na segunda-feira, o governo boliviano apresentou acusação formal contra Jaime Solares e Roberto de la Cruz, dirigentes dos grupos de protestos, por conspiração para derrubar o presidente.