01 de junho, 2005 - 03h21 GMT (00h21 Brasília)
O Congresso da Bolívia suspendeu sessão da terça-feira por falta de quórum depois que manifestantes fecharam as vias de acesso à capital, La Paz.
A sessão tinha o objetivo de discutir propostas controvertidas de autonomia regional e instalação de uma Assembléia Constituinte.
Os manifestantes querem a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, mas expressaram sua rejeição às intenções separatistas de alguns setores nas províncias do país, inclusive do leste e sul, onde estão boa parte das reservas de petróleo e gás natural do país.
Eles exigem a nacionalização dessa indústria, e alegam que leis que entraram em vigor há pouco tempo e aumentam o imposto pago por empresas estrangeiras da área energética, não são suficientemente rigorosas.
As manifestações desta terça-feira foram as maiores desde que Carlos Mesa assumiu a presidência do país em outubro de 2003, quando uma revolta popular derrubou seu antecessor, Gonzalo Sánchez de Lozada.
O governo da Bolívia pediu às partes que mantenham o diálogo e advertiu para um complô contra a democracia no país.
O presidente Carlos Mesa disse na segunda-feira que a intenção do que chamou de "grupos minoritários" era impedir que continuem as atividades do Legislativo.
"O fechamento do Parlamento nacional é um golpe de Estado, não existe democracia sem Parlamento", disse o presidente boliviano.
Na segunda-feira, o governo boliviano apresentou acusação formal contra Jaime Solares e Roberto de la Cruz, dirigentes dos grupos de protestos, por conspiração para derrubar o presidente.
O Executivo também iniciou ações judiciais contra os dois militares que pediram a renúncia de Mesa na semana passada.
Há um clima de convulsão social, pois os grupos de protestos têm posições opostas e só concordam no repúdio que têm contra Mesa.