27 de maio, 2005 - 18h54 GMT (15h54 Brasília)
A poucas horas do final da campanha que antecede o plebiscito de domingo na França, em que os franceses irão decidir se adotam ou não a Constituição da União Européia, partidários do "sim" e do "não" realizam seus últimos comícios no país.
A campanha, que nas últimas duas semanas dividiu a França, passa a ser proibida a partir da 0h deste sábado.
Uma pesquisa do jornal Le Figaro, mostra que 55% dos franceses que já decidiram seu voto devem optar pelo “não”, enquanto 45% preferem o “sim”. Mas outro levantamento colocou o “não” com 52%, um pouco menos do que tem sido registrado.
Preocupados com a possibilidade de rejeição da Constituição em um dos países mais populosos da União Européia, os primeiros-ministros da Alemanha, Gerhard Schröder, e da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, viajaram à França para participar de eventos pelo "sim".
Por outro lado, em Paris, importantes dirigentes socialistas se aliaram a comunistas e lideranças sindicais para tentar convencer os indecisos a rejeitar o tratado constitucional.
Le Pen
A correspondente da BBC em Paris Caroline Wyatt afirma que Schröder e Zapatero estão longe de ter convicção de que serão capazes de influenciar a opinião pública.
Os principais dissidentes socialistas, entre eles o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius e o parlamentar Jean-Luc Melenchon, vêm convocando os eleitores a comparecer às urnas no domingo.
Simpatizantes da Frente Nacional, partido de extrema-direita encabeçado por Jean-Marie Le Pen, também se opõem à Constituição e devem sair às ruas parisienses.
Um dos principais arquitetos do documento, o ex-presidente Valéry Giscard D’Estaing, fez um emocionado apelo de última hora para tentar reverter a tendência favorável ao “não” apontada por pesquisas.
Em discurso no Parlamento alemão – que nesta sexta ratificou a Constituição –, D’Estaing pediu para que os eleitores “permitam que o nosso sonho em comum se torne realidade”.
“A dupla ratificação, na Alemanha e na França, marcará uma passagem histórica para o futuro da Constituição e para a Europa”, disse o ex-presidente.
Apelo final
Na noite de quinta-feira, o presidente francês, Jacques Chirac, também fez um apelo final na TV em defesa da Constituição européia.
Chirac pediu aos eleitores franceses que não encarem o referendo como uma avaliação do seu governo.
Ele disse que o voto se refere ao futuro, acrescentando que os europeus veriam a derrota do “sim” como um “não” dos franceses à Europa.
“No domingo, cada um de vocês terá em suas mãos parte do destino da França”, disse Chirac na TV.
A França é o segundo país europeu a realizar um referendo sobre a Constituição – na Espanha, o "sim" a favor da Carta venceu, e o Parlamento ratificou.
Na quarta-feira da semana que vem, a Holanda também submete o tratado à aprovação pública. Assim como na França, as pesquisas indicam que a maioria dos holandeses planeja votar "não".