27 de maio, 2005 - 14h12 GMT (11h12 Brasília)
Grupos de oposição no Egito acusaram o governo de mentir sobre o comparecimento dos eleitores no plebiscito de quarta-feira, no qual foi aprovada uma emenda constitucional que permite que candidatos de oposição disputem as eleições presidenciais.
O governo anunciou que 51% dos egípcios com direito a voto participaram do referendo.
A oposição, que tinha defendido um boicote à votação, diz que o governo obrigou os servidores públicos a ir às urnas e, mesmo assim, o comparecimento não ficou acima de 20%.
Segundo o governo, 83% dos votantes foram favoráveis às mudanças. Mas, para a oposição, a situação não é como está sendo descrita.
Promessas
O governo comemorou o resultado, considerando-o uma grande vitória para a democracia, dizendo que os egípcios deram apoio maciço à mudança que permitiria a eles, pela primeira vez na história escolher entre diversos candidatos seu futuro presidente.
A oposição diz que o que aconteceu no dia da votação e a maneira como a emenda foi feita são provas de que o governo recuou em suas promessas de democratização.
Os oposicionistas também acusaram o governo de usar força bruta para calar manifestantes pacíficos do lado de fora dos locais de votação.
Em alguns casos, a polícia teria ficado observando enquanto manifestantes apanhavam de seguidores do partido do presidente egípcio, Hosni Mubarak, segundo relatos.
Estados Unidos
O governo ainda não respondeu a essas alegações.
Os Estados Unidos, porém, que tinham saudado a reforma constitucional, manifestaram preocupação.
O presidente americano, George W. Bush, disse na quinta-feira que a violência contra manifestantes pacíficos no Egito não se enquadra nas normas democráticas.
A oposição vinha defendendo um boicote porque, alega, a emenda constitucional foi feita para impedir qualquer candidato tenha chance de vencer Mubarak.
Mubarak governa o Egito há quase 25 anos e poderá concorrer a mais um mandato de seis anos nas eleições previstas para setembro.