20 de maio, 2005 - 03h11 GMT (00h11 Brasília)
O primeiro-ministro do Canadá, Paul Martin, sobreviveu a uma moção de desconfiança no Parlamento por apenas um voto.
Martin foi salvo por uma decisão de última hora do parlamentar independente Chuck Cadman de mudar o seu voto.
Os Conservadores e o Bloc Quebecois, ambos da oposição, estão tentando derrubar o governo de minoria do Partido Liberal, por causa de um escândalo de corrupção envolvendo uma antiga administração liberal.
Martin era ministro das Finanças na época, mas o seu nome não aparece no escândalo.
Ainda assim, a oposição diz que o governo é corrupto e deve ser tirado do poder.
Os Conservadores vinham paralisando as votações há semanas, exigindo a renúncia de Martin.
O primeiro-ministro, no entanto, defende que o país espere a conclusão de um inquérito sobre o assunto, que ele ordenou pouco depois que assumiu o governo, em junho do ano passado.
Martin se comprometeu em convocar novas eleições 30 dias após a divulgação das conclusões, esperada para o fim deste ano.
A votação desta quinta-feira era sobre o Orçamento federal, mas na prática era o futuro de Martin que estava em jogo.
"A margem da votação desta noite é muito estreita – na verdade, isso é um eufemismo", disse Martin, pouco depois de o resultado ser anunciado.
"Nós precisamos agora seguir para frente em um espírito de cooperação. Nós pedimos à oposição para se juntar a nós para fazer este Parlamento trabalhar pelo povo do Canadá."
O líder dos Conservadoers, Stephen Harper, no entanto, disse que pretende manter uma vigorosa oposição a Martin.
As denúncias das irregularidades financeiras se referem a um governo anterior do Partido Liberal, nos anos 90.
A crise começou no ano passado, quando a auditoria-geral do Canadá divulgou um relatório que dizia que o governo liberal da época desviou pelo menos US$ 81 milhões para agências de propaganda ligadas ao partido.