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19 de maio, 2005 - 18h29 GMT (15h29 Brasília)

Exilado cubano que causou protestos é indiciado nos EUA

As autoridades americanas anunciaram o indiciamento do exilado cubano Luis Posada Carriles, acusando-o de ter violado as leis de imigração do país.

Carriles, que foi preso na terça-feira, é acusado pelos governos de Cuba e da Venezuela de ser responsável por um atentado que matou 73 pessoas em 1976.

A extradição de Carriles vem sendo solicitada pelo governo da Venezuela, e milhares de cubanos foram às ruas de Havana na terça-feira pedir que as autoridades americanas o prendessem e atendessem o pedido da justiça venezuelana.

De acordo com uma nota emitida pelo governo americano, Carriles terá sua primeira audiência no dia 13 de junho.

Venezuela

O ex-agente da CIA, de 77 anos, está sendo mantido preso sem direito a fiança em um centro de detenção no Estado americano do Texas.

Nesta quarta-feira, o vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, disse que o dissidente cubano não será entregue a Cuba, caso o governo americano decida extraditá-lo para a Venezuela.

"Não há possibilidade de que (Carriles) seja enviado a outro país, se a extradição for aprovada. Disto a opinião pública nacional e internacional pode estar segura", afirmou Rangel.

Posada nega que tenha participado do atentado de 1976 contra um avião de passageiros da Cubana de Aviación.

Ele foi julgado e absolvido duas vezes na Venezuela, mas estava preso aguardando o resultado da apelação quando fugiu da prisão, em 1985.

Além do atentado aéreo, Cuba acusa o dissidente de organizar uma série de ataques em hotéis do país, em 1997.

Obrigação moral

O embaixador venezuelano em Washington, Bernardo Alvarez, disse à BBC que os Estados Unidos "têm a obrigação moral" de extraditar Posada Carriles ao país, de ontem ele fugiu da prisão em 1985.

O pedido de extradição foi feito na sexta-feira semana passada, mas ainda não foi respondido pelas autoridades americanas. Cubano de nascimento, Posada é naturalizado venezuelano.

O advogado de Posada, Eduardo Soto, disse numa entrevista em Miami, que vai apresentar um novo pedido de asilo político, para evitar a extradição ou deportação de Posada.

Ele disse que vai alegar que Posada tem autorização para residir nos Estados Unidos, baseado no passado de luta contra Fidel Castro e no fato de que ele trabalhou como agente da CIA e porque estaria sendo perseguido em Cuba e na Venezuela.