17 de maio, 2005 - 05h21 GMT (02h21 Brasília)
Dezenas de milhares de pessoas marcharam na capital da Bolívia, La Paz, para reivindicar a nacionalização dos recursos energéticos do país.
Sob pressão, o presidente Carlos Mesa ainda não decidiu se vai promulgar uma nova lei sobre o setor que imporia mais impostos sobre as empresas estrangeiras que exploram as reservas de gás natural e petróleo do país.
A manifestação, que foi das 9h da manhã ao meio-dia, interrompeu o trânsito da cidade, mas transcorreu de forma pacífica.
O sindicato Central Operária Boliviana (COB) e outras organizações que lideraram a marcha dizem que este foi apenas o primeiro dia de uma série de demonstrações que ocorrerão até que o governo nacionalize os recursos do país.
As mudanças defendidas pelos manifestantes na chamada Lei de Hidrocarbonetos obrigariam empresas estrangeiras a pagarem à Bolívia 50% em royalties pela exploração de gás e petróleo no país.
Mesa já disse que considera a nova lei "inviável" porque teme que ela gere processos contra o Estado boliviano.
Alguns dirigentes defenderam a renúncia do presidente caso ele não assine a lei e já anunciaram que vão bloquear as estradas do país.
O diretor da COB, Jaime Solares, disse que uma greve geral e protestos nas ruas "acabarão com os neoliberais que defendem as transnacionais".
No entanto, todas as mobilizações convocadas pela entidade fracassaram desde outubro de 2003, quando uma revolta popular levou à renúncia do então presidente, Gonzalo Sánchez de Lozada.
Os manifestantes dizem que a indústria de energia boliviana está sendo vendida para empresas internacionais a um preço muito baixo, com poucos resultados para a população boliviana.
Os protestos têm sido comuns na Bolívia nos últimos meses. Em março, os principais representantes da oposição assinaram um pacto para intensificar as mobilizações contra o governo de Mesa.
A iniciativa reúne o Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo deputado Evo Morales, que representa produtores de coca, a Central Operária Boliviana (COB) e entidades formadas por trabalhadores rurais e comunidades indígenas.
Evo Morales diz que a mudança na Lei de Hidrocarbonetos é “inegociável” e precisa ser aceita pelo governo e pelo Congresso para que a Bolívia “recupere a propriedade desses recursos naturais”, descritos pelo líder da oposição como “patrimônio nacional”.
Carlos Mesa tem até esta terça-feira para promulgar ou vetar a nova lei.