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17 de maio, 2005 - 11h22 GMT (08h22 Brasília)

Rússia começa a julgar seqüestrador da escola de Beslan

O único seqüestrador a ser capturado vivo após o cerco militar à escola de Beslan, na região russa da Ossétia do Norte, começou a ser julgado nesta terça-feira.

Mais de 300 pessoas morreram na ação, realizada em setembro do ano passado por militantes separatistas da Chechênia.

O carpinteiro checheno Nurpasha Kulayev, de 24 anos, enfrenta nove acusações, entre elas as de assassinato, seqüestro e terrorismo.

Ele diz não ter matado ninguém – alega que apenas disparou sua metralhadora para o alto, sem mirar nas crianças.

Além disso, argumenta ter sido enganado pelos líderes do grupo – afirma que pensava que o ataque seria contra um posto de controle militar, não a uma escola.

Caso seja condenado, Kulayev pode ser sentenciado à prisão perpétua.

Segurança

As autoridades russas reforçaram a segurança na Ossétia do Norte antes do julgamento.

Muitos familiares das vítimas se reuniram em frente ao tribunal, na cidade de Vladikavkaz, com fotos dos mortos e cartazes.

Um correspondente da BBC na região afirma que o julgamento deve durar vários meses, com o depoimento de dezenas de sobreviventes.

Os promotores dizem que o acusado foi um dos mais de 30 rebeldes que participaram do seqüestro, que durou três dias até terminar de forma sangrenta com a invasão das forças russas.

Cerca de 330 dos mil estudantes e adultos mantidos reféns morreram nas explosões dentro do ginásio esportivo em que estavam e nas trocas de tiros entre militantes e as forças de segurança.

A imagem de Kulayev foi exibida na TV estatal russa poucas horas após o final do seqüestro e de sua captura. Seu irmão também tomou parte no seqüestro e morreu baleado.

Kulayev escapou por pouco de ser linchado pela população de Beslan, após ter sido descoberto escondido debaixo de um caminhão nas proximidades da escola.

Agentes russos mascarados o levaram para a frente das câmeras, enquanto ele repetia que não havia matado ninguém e desejava viver.

Espera-se que o julgamento traga detalhes sobre como o seqüestro da escola foi planejado.

A promotoria não deve afirmar que Kulayev teve um papel central na trama, mas contradiz as suas alegações de que desconhecia o verdadeiro alvo da operação no dia 1 de setembro de 2004.