16 de maio, 2005 - 15h01 GMT (12h01 Brasília)
Dois políticos europeus acusados pelo Senado dos Estados Unidos de terem sido pagos por Saddam Hussein estão reagindo contra as acusações.
Um deles, o ex-ministro do Interior da França Charles Pasqua, em sua primeira entrevista coletiva sobre o caso, disse nesta segunda-feira que está preparado para depor no Congresso americano.
O outro, o parlamentar britânico George Galloway, viajou a Washington para se defender.
Os dois foram acusados de ter recebido cotas de petróleo iraquiano de Saddam Hussein, o que ambos negam.
Campanha
Pasqua, que agora é senador, disse acreditar que estava sendo citado para dar publicidade ao relatório por ser a pessoa mais conhecida da lista.
"Nunca estive no Iraque, nunca encontrei Saddam Hussein. Nunca recebi nada dos iraquianos em qualquer área", disse o ex-ministro.
Segundo ele, "uma campanha geral contra a França" está em andamento nos Estados Unidos. Isso, segundo ele, se deve à oposição da França à guerra no Iraque.
"Tenho a impressão de estar sendo usado nesta campanha e não pretendo ficar sentado sem fazer nada", disse.
Ele pediu ao Senado francês que inicie uma investigação sobre a questão.
Galloway, expulso do Partido Trabalhista e reeleito nas eleições de 5 de maio por um partido independente, foi um crítico das sanções da ONU contra o Iraque durante o regime de Saddam Hussein.
Ele vai depor na terça-feira na subcomissão do Congresso americano que fez as acusações.
"A subcomissão chegou à sua conclusão sem ter qualquer contato comigo", disse Galloway à agência de notícias Reuters.
"É um abuso monstruoso de justiça."
A subcomissão, que investiga o programa Petróleo por Comida da ONU, também acusa políticos russos de aceitar o equivalente a milhões de dólares em petróleo em troca do bloqueio de uma intervenção militar no Iraque com apoio da ONU.