14 de maio, 2005 - 01h58 GMT (22h58 Brasília)
As condições de vida dos iraquianos sofreram uma grande deterioração nos últimos 25 anos e muitos lares têm dificuldades para atender às necessidades básicas, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU).
O estudo pesquisou 22 mil lares em 2004, um ano depois da queda do regime de Saddam Hussein.
Segundo o ministro do Planejamento do Iraque, Barham Saleh, a pesquisa mostra uma "situação bastante trágica da qualidade de vida".
Ele culpou o antigo regime, mas os problemas de segurança desde a queda de Saddam Hussein também tiveram um papel essencial nisso.
A melhora da segurança será decisiva para elevar o padrão de vida no Iraque, que agora está entre os mais baixos da região, segundo o diretor para o Iraque do Programa de Desenvolvimento da ONU, Boualem Aktouf.
"Um país que sofre de uma situação de segurança difícil não consegue fornecer serviços a sua população", disse Aktouf à BBC.
Subnutrição
"Embora muitas pessoas vivam perto de centros de saúde, escolas e clínicas, a qualidade deles não é garantida", observou.
É altamente provável que a maioria dos lares tenham hoje uma renda real menor do que há quase 25 anos, diz o estudo "Pesquisa das Condições de Vida no Iraque 2004".
Quase 25% das crianças com idade entre seis meses e cinco anos sofrem de subnutrição crônica, segundo a pesquisa.
O estudo diz que, embora exista a infra-estrutura para fornecer serviços básicos – como eletricidade e água tratada –, ela não é confiável.
Em algumas áreas, a situação piorou dramaticamente desde a queda do regime.
Os iraquianos que moram em Bagdá, por exemplo, agora só têm dez horas de eletricidade por dia, a metade do que tinham em 2003.
Aktouf disse que poderá levar dez anos para restaurar o padrão de vida.