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12 de maio, 2005 - 12h06 GMT (09h06 Brasília)

Afeganistão tem mais protestos contra os EUA

Centenas de estudantes saíram às ruas de Cabul, a capital do Afeganistão, para protestar contra os Estados Unidos.

Pelo menos três protestos ocorreram na cidade.

Outras manifestações ocorreram na província de Logar, ao sul da capital.

A exemplo de protestos realizados na quarta-feira em outra cidade afegã, Jalalabad, os manifestantes queixaram-se contra um suposto desrespeito ao Alcorão cometido por militares americanos na prisão de Guantánamo, em Cuba.

Pelo menos quatro pessoas morreram em Jalalabad em decorrência das manifestações.

Universidade

O maior dos protestos na área de Cabul reuniu entre 200 e 300 estudantes na universidade local.

Eles gritaram slogans contra os americanos, como “Morte aos Estados Unidos” e “Aqueles que ofenderem o Alcorão devem ser levados à Justiça”.

Um grupo de estudantes subiu em um edifício e, no alto, queimou uma bandeira americana, para regozijo da multidão.

Mas policiais fortemente armados evitaram que o protesto se espalhasse para além dos limites da universidade.

“Os Estados Unidos são nosso inimigo”, disse à agência de notícias Associated Press o estudante de Ciências Políticas Ahmad Shah.

“Quando eles ofendem nosso livro sagrado, estão ofendendo a gente.”

Outro estudante disse à agência de notícias France Presse que os americanos são “invasores” e que não fizeram “nada de bom para o Islã”.

Ressentimento

Em Mohammed Agha, 40 km ao sul de Cabul, manifestantes saquearam escritórios do governo e de agências de ajuda humanitária ocidentais.

O correspondente da BBC em Cabul Andrew North afirma que as autoridades temem que as manifestações estejam sendo orquestradas.

Até o momento, elas têm se concentrado no leste e no sul do país, regiões onde os americanos estão enfrentando o Talebã e outros militantes.

Analistas dizem que, ainda que o caso da Baía de Guantánamo pareça ter servido de estopim para os protestos, eles podem refletir um crescente ressentimento dos afegãos destas áreas contra os americanos.