08 de maio, 2005 - 15h47 GMT (12h47 Brasília)
O Parlamento iraquiano aprovou os novos seis ministros que completariam o gabinete, mas um dos nomeados rejeitou a oferta logo após a votação.
Hashim al-Shible, um sunita árabe, recusou a pasta dos Direitos Humanos, afirmando não ter sido consultado sobre a nomeação e que foi escolhido apenas porque é sunita.
O primeiro-ministro Ibrahim Jaafari parece ter preenchido quase todos os postos vagos no governo, dando quatro ministérios aos sunitas.
O correspondente da BBC em Bagdá Jim Muir disse que Jaafari espera diminuir o apoio aos insurgentes dentro de sua própria comunidade ao trazer os sunitas para o governo - acredita-se que o grupo esteja por trás da recente onda de violência no Iraque.
Violência
"Nós vamos tomar todas as medidas necessárias para lutar contra este fenômeno monstruoso", disse Jaafari sobre a violência.
"Nós fomos cuidadosos ao envolver todos os protagonistas políticos e isso explica a demora na formação do gabinete", disse ele.
Pelo menos 250 pessoas já morreram na nova onda de violência no Iraque, iniciada no fim de abril quando foi formado o novo governo.
No último incidente, neste domingo, a polícia disse que um alto funcionário do Ministério dos Transportes, Zooba Yassin, foi morto a tiros em seu carro com seu motorista.
Na formação do gabinete, os ministérios mais delicados eram os do Petróleo e a Defesa.
Saadoun al-Dulaimi, um sunita árabe com raízes em um dos focos da violência, foi nomeado para a pasta da Defesa.
Ele é um respeitado psicólogo e estatístico que passou muitos anos fora do Iraque e era ativo na oposição a Saddam Hussein.
Ibrahim Bahr al-Uloum, um xiita, vai ocupar a pasta do Petróleo.
Depois de sua nomeação, al-Uloum disse que procuraria pôr fim à falta de combustível e prometeu aumentar a produção, que vem sendo prejudicada por sabotagem dos insurgentes.
Os novos ministros devem prestar juramento ainda neste domingo.
Al-Zarqawi
Em um outro desdobramento da crise iraquiana, militares liderados pelos Estados Unidos no Iraque afirmaram ter matado seis pessoas e prendido outras 54 neste domingo, durante uma incursão à procura de insurgentes na cidade de al-Qaim, próxima da fronteira com a Síria.
Em um comunicado, os militares americanos afirmaram ter recebido inúmeros relatos de serviços de inteligência sugerindo que seguidores do líder militante jordaniano Abu Musab al-Zarqawi encontravam-se na região.
Al-Zarqawi é o militante mais procurado pelos Estados Unidos no Iraque, acusado de arquitetar uma série de ataques contra militares americanos e a polícia iraquiana.
Segundo os militares americanos, carros-bomba, materiais para fabricação de bombas e dois prédios lotados com armas foram destruídos durante a operação.
A área onde foi realizada a operação vem sendo alvo de inúmeros ataques de insurgentes nos últimos meses.