08 de maio, 2005 - 10h59 GMT (07h59 Brasília)
Celebrações acontecem em toda a Europa neste domingo pelos 60 anos do Dia da Vitória, que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial.
Mais de 40 milhões de pessoas morreram nos confrontos até a data da vitória aliada sobre a Alemanha nazista, declarada em 8 de maio de 1945.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um discurso em um cemitério na Holanda, onde mais de 8 mil militares americanos foram enterrados, no único cemitério deste tipo para americanos na Europa.
Cerimônias acontecem ainda na França e na Grã-Bretanha, onde o príncipe Charles depositou uma coroa de flores no Cenotaph (monumento aos mortos nas guerras, localizado no centro de Londres).
Milhares de pessoas vão assistir a um show durante a tarde em Trafalgar Square, no centro da capital britânica.
Acompanhado de sua mulher, Laura, da rainha Beatriz da Holanda e do primeiro- ministro do país, Jan Peter Balkanende, Bush homenageou os soldados mortos na guerra.
"As novas gerações precisam conhecer a história desses soldados (....) Eles nos deram o presente mais precioso: a liberdade".
Outras celebrações
Na Alemanha, a data é marcada pelo Festival da Democracia, com a duração de dois dias. Músicas e discursos variados ocorrem no Portão de Brandenburgo, em Berlim.
Políticos alemães fizeram uma cerimônia no Parlamento e participaram de um serviço religioso na Catedral de Berlim.
Os skinheads (jovens alemães de extrema direita), no entanto, preparam para mais tarde, no domingo, uma passeata que pode contar com a participação de 5 mil pessoas.
A segurança foi reforçada por conta disso na Alemanha.
Na França, o presidente, Jacques Chirac, participou de uma cerimônia na Avenida Champs-Elysées e depositou flores no túmulo de Charles De Gaulle.
Polêmica
Na Polônia, as comemorações vêm causando polêmica, com a decisão do presidente, Aleksander Kwasniewski, de atender às cerimônias em Moscou.
A oposição alega que a ocupação nazista na Polônia foi apenas substituída pela soviética.
A mesma alegação levou Estônia e Lituânia a boicotarem as celebrações na Rússia.
No sábado, Bush disse que a antiga dominação soviética no leste europeu foi "um dos maiores erros da história".
Falando na Letônia, Bush também reconheceu o papel dos Estados Unidos na divisão da Europa depois do conflito.
Em Moscou, o presidente Vladimir Putin ressaltou que os russos foram os libertadores.
Bush se reuniu com o presidente da Letônia, da Estônia e da Lituânia na capital da Letônia, Riga.
Os três países bálticos vêm exigindo um pedido de desculpas formais da Rússia - sucessora da União Soviética - pela anexação deles após a 2ª Guerra, mas Putin disse que as desculpas já foram pedidas.
O presidente russo citou uma resolução de 1989, ainda na era da URSS, criticando o pacto feito em 1939 entre soviéticos e nazistas que levou à ocupação da região. A resolução dizia que o pacto havia sido uma "decisão pessoal" do líder soviético Josef Stalin que "contrariava os interesses do povo soviético".
"Eu quero repetir: nós já fizemos isso", disse Putin. "O quê? Nós temos que fazer isso todo dia, todo ano?"
Moscou alega ainda que foi a principal força que trouxe liberdade à Europa, libertando o continente do domínio nazista a um alto custo: a vida de 30 milhões de soviéticos.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, elogiou a Lituânia, Letônia e Estônia - agora membros da União Européia e da OTAN, a aliança militar atlântica - por manterem "uma longa vigília de sofrimento e esperança" durante os quase 50 anos de ocupação soviética.
"Reconheço que no Ocidente o fim da 2ª Guerra significou a paz, mas nos Bálticos, ele trouxe nova ocupação, comunismo e opressão", disse Bush aos jornalistas.
O acordo de Yalta, firmado em 1945 entre a Grã-Bretanha, Rússia e Estados Unidos e que abriu caminho para a divisão da Europa pós-guerra, seguiu as injustas tradições da diplomacia anterior ao conflito, disse Bush.
"Não vamos repetir os erros de outras gerações - facilitando ou desculpando tiranias e sacrificando liberdades na busca da estabilidade", acrescentou.
A Rússia protestou contra a visita de Bush a Letônia antes da ida a Moscou para participar das principais comemorações.