07 de maio, 2005 - 06h59 GMT (03h59 Brasília)
Stephen Gibbs
de Havana
Milhares de cubanos se apertaram na avenida da praia de Havana (o Malecón) para prestigiar o primeiro grande concerto de rock de uma banda americana na ilha caribenha comunista.
O grupo Audioslave – formado por ex-integrantes do Rage Against the Machine – recebeu uma permissão rara de ambos os governos cubano e americano para se apresentar na ilha.
O som do grupo, uma mistura de rock e grunge, sacudiu os cubanos da sexta-feira à noite até o sábado de manhã.
A platéia nem parecia que vive em uma ilha controlada rigorosamente: barulho, latas de cerveja no chão e até sendo jogadas no restante da platéia.
Os fãs de rock em Cuba há anos reclamam que deixam de ouvir o rock americano na ilha simplesmente por motivos políticos.
Eles parecem ter desejado, neste show, recuperar o tempo perdido.
O show só pôde acontecer com a permissão das autoridades americanas e cubanas, num aparente acordo estratégico para deixar a política de fora.
A banda se apresentou numa praça da "região Anti-Imperialista" - como o Malecón é conhecido, devido ao grande número de protestos que acontecem no local contra os EUA.
Para se ter uma idéia, havia ali um pôster nazista pregado, chamando os Estados Unidos de facista.
O pôster foi retirado da praça dias atrás.
Apesar de poucas pessoas em Cuba acreditarem que performances como a do Audioslave aproximarão os dois inimigos ideológicos, a esperança aqui é de que mais grupos de rock americanos passem a saber que tocar em Cuba não é impossível.