03 de maio, 2005 - 18h39 GMT (15h39 Brasília)
O Irã insistiu que tem o direito de desenvolver programas nucleares pacíficos, incluindo o enriquecimento de urânio, durante o segundo dia de reunião em Nova York para revisar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) Nuclear.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Kamal Kharrazi, disse ser inaceitável limitar o acesso a tecnologias nucleares a um "grupo exclusivo" de países tecnologicamente avançados.
Os Estados Unidos acusam o Irã de desenvolver armas nucleares em segredo usando o pretexto de que o programa nuclear do país tem fins civis.
Reza Asefi, um porta-voz de Kharrazi, disse que o Irã vai manter a suspensão no enriquecimento de urânio - adotada em novembro - enquanto negociações com Alemanha, França e Grã-Bretanha continuarem.
O grupo de nações européias quer convencer o Irã a abandonar seu programa de enriquecimento e reprocessamento de urânio. Em contrapartida, eles oferecem incentivos econômicos, políticos e tecnológicos ao Irã.
Pacífico
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, alertou pouco antes que a retomada de atividades nucleares seria o fim das negociações. Ele disse que o fato poderia ser levado para o Conselho de Segurança da ONU - algo que os Estados Unidos estão querendo há tempos.
Apesar do alerta, Kharrazi disse que o país está determinado a retomar o enriquecimento de urânio em algum momento.
"O Irã está determinado a perseguir todos os campos legais da tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio voltado exclusivamente para fins pacíficos", disse ele.
Ele afirmou que a tecnologia nuclear tem aplicações mais amplas, em áreas como energia, agricultura e saúde humana.
O Irã já havia insistido que a suspensão do enriquecimento de urânio é voluntária e temporária.
Representantes de mais de 180 países estão reunidos em Nova York para revisar o Tratado de Não-Proliferação (TNP) Nuclear – um pacto firmado há 35 anos.