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03 de maio, 2005 - 14h52 GMT (11h52 Brasília)

Família culpa Blair por morte de soldado no Iraque

A mulher do último soldado britânico a ser morto no Iraque responsabilizou o primeiro-ministro Tony Blair pela tragédia.

Anthony Wakefield, 24 anos, era de Newcastle e foi morto por uma bomba na segunda-feira. Sua viúva, Ann Toward, disse que Blair não devia tê-lo enviado para a guerra.

Outros parentes de soldados mortos no Iraque alertaram que pretendem entrar com processos legais por conta da guerra.

Blair - que enviou suas profundas condolências à família do soldado - disse que entende o luto da viúva, mas voltou a defender sua decisão de ir à guerra.

Campanha

Howard, no entanto, disse que foi um erro ir à guerra sem um plano apropriado para o que fazer depois que Saddam Hussein fosse derrubado do poder.

Charles Kennedy declarou que nenhum partido deveria tentar se beneficiar da morte do soldado para fins de campanha.

"Temos 8 mil militares no Iraque. Não podemos esquecê-los", disse Kennedy.

Mortes

Wakefield foi o 87º soldado britânico a morrer na guerra do Iraque.

A viúva dele disse que "se Blair não tivesse mandado os soldados para a guerra, Anthony ainda estaria aqui".

Ann Toward - que estava separada de Anthony Wakefield - descreveu o soldado como "animado, extrovertido, divertido e sorridente".

Os filhos dele - Scott, de 7 anos e Corey, de 2 anos - e a enteada Stacy, de 11 anos, ficaram chocados com a morte de Wakefield.

"Corey ainda não entende, mas Scott e Stacy ficram tristíssimos, choraram e choraram. Eles ainda estão falando nele, vendo as imagens na televisão."

Ann Toward recebeu a notícia da morte do marido quando representantes do Ministério da Defesa bateram na porta da casa dela, na madrugada de segunda-feira.

"É arrasador. Desde ontem tenho chorado, parado de chorar e chorado de novo."

Guerra

A guerra no Iraque vem sendo usada pelos adversários políticos de Blair durante a campanha para as eleições gerais desta quinta-feira.

Blair, que voltou a defender a decisão de ir à guerra, disse: "Os soldados britânicos estão fazendo um trabalho extraordinário no Iraque, ajudando o país a se tornar uma democracia estável. Eu entendo perfeitamente o sentimento das famílias que perderam filhos e maridos na guerra".

Em um programa de televisão, na segunda-feira à noite, ele disse que já desistiu de tentar convencer os britânicos sobre a guerra, mas defendeu sua honestidade.

"Durante esta campanha eleitoral sofri alguns ataques contra o meu caráter, e não vou ficar defendendo meu caráter aqui. Os eleitores podem decidir se confiam ou não em mim no próximo dia 5".