03 de maio, 2005 - 21h26 GMT (18h26 Brasília)
O presidente francês, Jacques Chirac, foi à TV na noite desta terça-feira para fazer um apelo à população para que vote a favor da Constituição da União Européia (UE) num referendo no dia 29 de maio.
Falando numa entrevista ao vivo, Chirac argumentou que a Constituição não é 'de esquerda nem de direita', e que ela será o que os Estados decidirem fazer dela.
Analistas políticos afirmam que os eleitores de esquerda são os mais difíceis de convencer, já que muitos deles vêem a votação do final do mês como uma oportunidade para derrotar Chirac nas urnas em razão do alto desemprego e outros problemas econômicos.
A França, na opinião do presidente, vai ficar enfraquecida e presa ao passado se não adotar a Carta.
Pesquisas de opinião no país vinham indicando seguidamente que a maioria dos franceses pretendia votar no "não".
Duas sondagens divulgadas nesta semana, porém, mostraram que o apoio ao "sim" começou a ganhar força.
Segundo a pesquisa do diário Le Parisien, 51% dizem apoiar a Constituição, enquanto outra, do Le Figaro, indica 53% de apoio.
Há temor em outros Estados europeus sobre as conseqüências de um voto negativo no referendo na França.
'Inspiração francesa'
"Não podemos dizer 'eu sou europeu' e votar não no referendo sobre a Constituição européia", declarou Chirac.
Respondendo a questões de dois jornalistas, Chirac negou que o documento vá destruir o modelo de bem-estar social francês e substituí-lo por uma economia neoliberal nos moldes anglo-saxões.
Pelo contrário, disse ele, afirmando que o tratado tem "essencialmente inspiração francesa" e é a "melhor escolha possível" para o país.
Chirac disse que a Constituição é "filha de 1989", ano da queda do Muro de Berlim, e "especialmente filha de 1789", uma referência à Revolução francesa.
A correspondente da BBC em Paris Caroline Wyatt disse que Chirac se saiu melhor na entrevista desta terça-feira que em outra aparição que fez na TV com o mesmo objetivo.
Ela observou, porém, que não está claro se ele conseguiu persuadir os opositores do tratado.