29 de abril, 2005 - 18h47 GMT (15h47 Brasília)
Mais de 6 mil pessoas, a maioria delas crianças, foram expulsas de suas casas nas últimas duas semanas na Colômbia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
O motivo seria o agravamento dos combates entre o Exército colombiano e as guerrilhas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no sudoeste do país.
A Unicef (fundo da ONU para infância e adolescência) afirmou que o segundo grupo indígena mais numeroso da Colômbia, os Nasas, teria sido a comunidade mais afetada.
Eles são “reconhecidos como um símbolo da resistência indígena e um povo pacífico”, disse um porta-voz da Unicef.
Pouca ajuda
A instituição disse que atualmente mais de 3 mil crianças indígenas (57% dos refugiados) estão em abrigos improvisados em uma região cercada de minas terrestres e outros tipos de munição.
A infra-estrutura de vários municípios, como escolas e hospitais foi totalmente destruída.
O Exército recentemente afirmou ter conquistado o controle de um município considerado crucial na área, Toribio, mas a Unicef disse que violentos combates prosseguem em áreas próximas.
A Unicef lançou, em janeiro, um apelo por ajuda internacional para a Colômbia, mas até agora recebeu apenas 5% do esperado.
Pedido
Na terça-feira, uma delegação indígena viajou à capital colombiana, Bogotá, pedindo pelo fim das hostilidades na área, que se tornou o principal foco dos combates desde a eleição do presidente Álvaro Uribe, há três anos.
Uma das plataformas eleitorais de Uribe era acabar com a guerrilha que já dura 40 anos.
“Ninguém vai vencer se os combates continuarem”, disse Alfredo Acosta, coordenador da Guarda Indígena, um grupo não-armado de proteção aos índios da região.
A delegação propõe que as partes envolvidas no conflito aceitem um cessar-fogo que permita às Farc permanecerem nesta região andina.
O governo colombiano admitiu que 16 municípios da região não teriam um governo formal.