http://www.bbcbrasil.com

28 de abril, 2005 - 02h29 GMT (23h29 Brasília)

Putin inicia visita histórica a Israel

O presidente russo, Vladimir Putin, chegou nesta quarta-feira a Israel, na segunda etapa de uma viagem histórica pelo Oriente Médio.

Putin foi primeiro ao Egito, onde propôs sediar uma conferência internacional sobre o processo de paz entre israelenses e palestinos.

É a primeira vez em 40 anos que um líder russo (ou soviético) vem ao Egito ou aos territórios palestinos e a primeira vez na história que acontece uma visita a Israel.

O correspondente da BBC Brasil no Cairo, Paulo Cabral, informa, no entanto, que embora tenha um grande peso simbólico e político, analistas dizem que a visita de Putin deverá ter poucos potenciais efeitos práticos no processo de paz.

Quarteto

A Rússia faz parte do quarteto – ao lado da União Européia, dos Estados Unidos e da ONU – que propôs o "Mapa da Paz" para israelenses e palestinos em 2002.

No entanto, o país não tem tido muita influência no Oriente Médio desde a Guerra Fria.

Ainda no Egito, o líder russo disse que os outros patrocinadores do plano serão convidados para a conferência, que seria realizada em Moscou.

"Eu espero discutir com os outros colegas envolvidos sobre como avançar com o processo de paz no Oriente Médio", disse Putin, numa entrevista coletiva ao lado do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

A conferência também deve ser um dos assuntos no seu encontro com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

Uma fonte do governo israelense disse à agência de notícias Reuters que a proposta foi recebida com cautela, mas não completamente rejeitada.

A Casa Branca também recebeu a proposta com frieza, dizendo que não era a hora certa para uma conferência.

A reação mais positiva foi dos palestinos. O ministro Ghassan Khatib disse à agência Associated Press que a Rússia poderia ajudar a "neutralizar" o que considera um favorecimento de Israel pelos americanos nas negociações.

Na sexta-feira, Putin deverá se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia.