25 de abril, 2005 - 12h14 GMT (09h14 Brasília)
Há dez dias das eleições na Grã-Bretanha, a guerra no Iraque voltou a ser o centro das discussões entre os principais partidos que brigam pela vaga de primeiro-ministro.
Hoje o Partido Liberal Democrata, que está em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, deve voltar a pedir um inquérito para investigar as informações que levaram o país a participar da guerra no Iraque.
O líder do partido, Charles Kennedy, disse que o povo britânico poderia usar as eleições de 5 de maio como "um referendo" para julgar se foi correta a decisão de Tony Blair de utilizar a força para derrubar Saddam Hussein.
Os liberais democratas foram os únicos que se opuseram à guerra no Iraque.
Nesta segunda-feira, os jornais Daily Mail e Daily Mirror trazem anúncios do Partido Liberal Democrata em que os líderes da Grã-Bretanha, Tony Blair, e dos Estados Unidos, George W. Bush, aparecem juntos, sorrindo, com o slogan: "Nós nos opomos: Bush e Blair no Iraque. Nós propomos: nunca mais."
Nada 'mais sério'
O líder do Partido Conservador, Michael Howard, que está em segundo colocado nas pesquisas, sempre se disse favorável à guerra no Iraque, mas diz que Blair mentiu sobre o assunto.
Apesar de querer evitar o tema, o primeiro-ministro Tony Blair, cujo Partido Trabalhista lidera as pesquisas de opinião, foi obrigado a responder a várias perguntas sobre a guerra no Iraque numa entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira.
Blair afirmou que as melhores testemunhas para demonstrar se o Iraque sem Saddam Hussein é um lugar melhor são o povo iraquiano.
"Ouçam suas vozes e eles vão dizer que tipo de mudanças ocorreram em seu país e quanta esperança eles têm agora."
Dúvida
O primeiro-ministro reafirmou que tomou a decisão certa e que os partidos Liberal Democrata e Conservador apenas retomaram o tema Iraque porque não têm nada mais sério para dizer sobre assuntos importantes relacionados ao futuro da Grã-Bretanha.
Blair teve de responder a perguntas sobre uma reportagem publicada neste domingo no Mail on Sunday, que afirma que o assessor jurídico do governo, Lord Goldsmith, expressou dúvida sobre uma ação militar no Iraque sem uma segunda resolução da ONU.
Para o primeiro-ministro, o parecer legal era bastante claro. Ele negou que o governo tenha pressionado o procurador-geral Lord Goldsmith.