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25 de abril, 2005 - 19h53 GMT (16h53 Brasília)

Agentes sírios deixam quartel-general no Líbano

Agentes dos serviços de inteligência da Síria deixaram nesta segunda-feira o seu quartel-general libanês na cidade fronteiriça de Anjar.

Há relatos de que o chefe da inteligência síria no Líbano, Rustom Ghazaleh, também partiu junto com os demais rumo a Damasco.

Ele deve voltar ao território do país vizinho nesta terça-feira, para uma cerimônia que marcará a retirada dos últimos soldados remanescentes no Líbano.

Fontes não identificadas do governo sírio afirmaram que a retirada deve ser completada nesta terça – quatro dias antes do que havia sido anunciado.

Testemunhas disseram que mais de cem veículos militares, incluindo tanques e veículos de transporte de soldados, deixaram o Líbano no sábado.

Ainda nesta segunda-feira, o chefe do serviço secreto libanês, general Jamil al-Sayyed, considerado pró-Síria, renunciou ao cargo, alegando mudanças no cenário político do país.

A oposição libanesa vinha cobrando a renúncia de Al-Sayyed, sob o argumento de que os serviços secretos sírios estavam envolvidos no assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em fevereiro.

Pressão

A Síria tem recebido forte pressão internacional para sair do Líbano desde a morte de Hariri.

Nos dois meses seguintes, tropas sírias tiraram seus armamentos pesados do país, queimaram documentos e desmontaram postos militares.

Os comandantes dos serviços de inteligência sírios que estão no Líbano também devem deixar o país na terça-feira.

Muitos libaneses acreditam que a Síria estava por trás do atentado com um carro-bomba que causou a morte de Hariri, e que o serviço secreto do Líbano, que tende a seguir uma linha pró-Síria, de alguma forma estava envolvido no episódio.

A Síria nega qualquer envolvimento, assim como o serviço secreto libanês.

O Conselho de Segurança da ONU está investigando a morte de Hariri.

Uma equipe da organização também será enviada para conferir se a retirada síria será completa.

Os sírios vêm mantendo uma presença militar no país vizinho há 29 anos.

Apesar da retirada das tropas, correspondentes no Líbano afirmam que a influência de Damasco no cenário político libanês deve continuar.