23 de abril, 2005 - 11h16 GMT (08h16 Brasília)
O primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi, apresentou ao presidente do país, Carlo Ciampi, os detalhes sobre o seu novo gabinete.
Foram feitas mudanças nos Ministérios das Comunicações, Saúde, Indústria e Cultura.
Giulio Tremonti, ex-ministro da Economia e forte aliado de Berlusconi, foi apontado como vice-primeiro-ministro.
O líder da Aliança Nacional, Gianfranco Fini, permanece com as funções de ministro das Relações Exteriores e vice-primeiro-ministro.
O novo governo do premiê, que havia renunciado há três dias, deve ser empossado neste sábado.
Um voto de confiança no novo governo deve ser realizada na próxima semana.
Crise
A administração de Berlusconi enfrenta a pior crise dos quatro anos de seu governo, após a grande derrota nas urnas sofrida recentemente por sua coalizão.
Na quarta-feira, Berlusconi renunciou para formar um novo governo, após dois partidos integrantes de sua coalizão exigirem a mudança de membros da administração.
De acordo com a Constituição italiana, um primeiro-ministro deve renunciar se desejar fazer mudanças substanciais em seu gabinete.
Na semana passada, o partido União Democrata Cristã (UDC) anunciou que quatro ministros deixariam o gabinete, incluindo o vice-primeiro-ministro, Marco Follini.
Berlusconi renunciou ao cargo de primeiro-ministro quando a Aliança Nacional, um dos aliados políticos de Berlusconi, ameaçou fazer o mesmo e deixar o governo.
A Aliança Nacional chegou a dizer que a política do governo italiano favorecia o norte do país, região mais próspera e rica e representada na coalizão pela Liga do Norte.
Analistas dizem que a formação de um novo governo seria difícil, já que Berlusconi correria o risco de perder o apoio da Liga do Norte se desse mais cargos à Aliança Nacional.
Segundo eles, enquanto a Liga do Norte quer que a receita gerada pelo norte seja usada localmente, a Aliança Nacional e a União Democrata Cristã querem que haja um investimento no sul do país, para melhorar a economia da região.
O repúdio de boa parte da população à participação italiana na ocupação do Iraque e o lento ritmo de crescimento da economia italiana têm colaborado para reduzir a popularidade do governo.
Nenhum governo da Itália conseguiu ficar no poder por cinco anos ininterruptos desde a Segunda Guerra Mundial.