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22 de abril, 2005 - 15h47 GMT (12h47 Brasília)

Lei espanhola que permite união gay é 'injusta', diz Vaticano

O Vaticano reagiu duramente ao primeiro desafio do novo papa, condenando o projeto de lei do governo da Espanha que permite o casamento entre homossexuais no país.

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o chefe do Pontifício Conselho para a Família do Vaticano, cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, descreveu a proposta – que provavelmente se tornará lei dentro de alguns meses – como "injusta".

"Não se pode impor o que é iníquo às pessoas", disse o cardeal, que foi confirmado em seu cargo pelo papa Bento 16 na quinta-feira. "A Igreja faz um apelo urgente por liberdade de consciência e pelo dever de se opor."

"Uma lei tão profundamente injusta como essa não pode ser uma obrigação. Não se pode dizer que uma lei está certa simplesmente porque é lei."

O projeto, já aprovado pela Câmara Baixa do Parlamento espanhol dominada pelos socialistas, também permite a adoção de crianças por casais de gays.

Perda do emprego

O cardeal disse que as autoridades municipais que recebessem um pedido para realizar um casamento gay deveriam se recusar por motivos de consciência, mesmo que isso significasse perder o emprego.

"Estou falando de todas as profissões ligadas à implementação (da lei)", disse o cardeal ao Corriere dela Sera.

"Eles devem exercer a mesma objeção de consciência que se pede de médicos e enfermeiros contra um crime como aborto".

"Essa não é uma questão de escolha: todos os cristãos devem estar preparados a pagar um preço alto, incluindo a perda do emprego."

O projeto, se transformado em lei, fará da Espanha – um país profundamente católico – o primeiro país europeu a permitir que homossexuais adotem filhos.

A Bélgica e a Holanda apenas permitem casamentos do mesmo sexo.

O primeiro-ministro socialista espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, assumiu o poder há um ano deixando claro que pretendia acabar com o que chamou de vantagens inegáveis da Igreja e tornar a Espanha um país secular.

Segundo o correspondente da BBC em Roma, Robert Piggott,
provavelmente haverá novas tensões entre Bento 16 e o premiê espanhol.

Zapatero já deixou claro que pretende simplificar a lei do divórcio e até mesmo flexibilizar as condições para que seja feito aborto.