21 de abril, 2005 - 23h03 GMT (20h03 Brasília)
A Câmara baixa do Parlamento espanhol aprovou nesta quinta-feira um projeto de lei que permite o casamento entre homossexuais no país e o direito de adotar crianças.
O texto ainda deve seguir para a aprovação do Senado nas próximas semanas.
O projeto foi aprovado numa votação que terminou com 183 votos a favor, 136 contra e seis abstenções.
O Partido Popular, da oposição, votou contra, alegando que a união de pessoas do mesmo sexo vai contra a instituição tradicional do casamento.
Grupos religiosos, incluindo bispos da Igreja Católica, judeus e protestantes, também expressaram seu descontentamento com a lei.
Segundo especialistas, se aprovada, a lei pode piorar a relação entre o governo socialista e a Igreja.
O primeiro-ministro do país, José Luis Rodriguez Zapatero, assumiu o poder em abril de 2004 com a intenção de remover o que ele chamou de "vantagens inegáveis da Igreja" e criar um Estado secular com o relaxamento nas leis de aborto, por exemplo.
Matrimônio
De acordo com o projeto de lei, a Legislação Civil espanhola incluiria a frase: "O matrimônio deve ter os mesmos requisitos e efeitos não importando se as pessoas envolvidas são do mesmo sexo ou de sexos diferentes".
O ministro da Justiça, Juan Fernando Lopez Aguilar, disse que o projeto supera "as barreiras de discriminação, muitas delas com raízes históricas profundas, que afetam os direitos e as liberdades e, de uma maneira específica, a livre escolha na busca de felicidade, um direito básico".
Membros de grupos de gays e lésbicas que assistiam à sessão aplaudiram a decisão.
"A Espanha demonstra que outro mundo é possível", disse Pedro Zerolo, presidente da Federação Estatal de Gays e Lésbicas.
Se a lei for aprovada pelo Senado, a Espanha será o terceiro país da União Européia a autorizar casamentos entre homossexuais, que já são permitidos na Bélgica e na Holanda.
A Conferência Episcopal Espanhola, que se opôs à lei desde o começo, disse que ela é "radicalmente injusta e prejudicial ao bem comum".
Zapatero, antes da votação, foi questionado sobre como achava que o novo papa, Bento 16, receberia a notícia.
"Se o novo papa falar algo sobre isso, eu estou preparado para respeitar o que ele disser, ele pode contar com o meu respeito por ele", disse o primeiro-ministro, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
"Uma das garantias da democracia é a liberdade de religião, a liberdade de opinião e a liberdade de realizar projetos políticos com o voto da população."