21 de abril, 2005 - 02h51 GMT (23h51 Brasília)
O governo brasileiro concedeu asilo diplomático ao presidente destituído do Equador, Lucio Gutiérrez, em meio a uma crise política no país sul-americano.
A destituição de Gutiérrez se deu por meio de uma moção aprovada no Congresso acusando-o de "abandono de poder".
Acompanhe a seguir as explicações do analista político da revista Economist Charles Sevil sobre a crise.
O que está por trás da crise?
Trata-se de um conflito político entre partidos. Dois deles, o PRE (Partido Roldosista do Equador), do ex-presidente Abdalá Bucaram, e o Prian (Partido Renovador Institucional Ação Nacional), ajudaram Gutiérrez em dezembro, quando ele enfrentava uma outra tentativa de impeachment.
Os partidos condicionaram o seu apoio a mudanças na Corte Suprema que lhes favorecessem.
Gutiérrez cedeu e o PRE assumiu, então, a presidência da Corte, conseguindo com isso o retorno de Bucaram ao Equador.
A volta do ex-presidente provocou grandes protestos no país, embora os mais recentes tenham ocorrido em resposta à declaração do estado de emergência por Gutiérrez.
Por que o Congresso, onde o presidente contava com o apoio da maioria, fez a reestruturação da Suprema Corte, permitiu a volta de Bucaram e agora quer reverter a situação?
A aparente contradição, no entanto, indica a relação ambígua entre Gutiérrez e os partidos.
O partido de Gutiérrez é muito pequeno, com apenas algumas cadeiras no Congresso, e havia se aliado ao PRE e outros partidos numa coalizão de conveniência.
Gutiérrez conseguiu substituir a Suprema Corte, como queria, mas diante da reação da opinião pública, percebeu que as mudanças eram insustentáveis e resolveu demitir os juízes novamente.
Gutiérrez sempre disse que o tribunal eleito em dezembro era temporário, porque a principal intenção era despolitizá-la.
A Suprema Corte sempre ficou refém de interesses políticos e até dezembro era dominada por juízes associados com o PSC (Partido Social Cristão), o maior partido político do Equador. Gutiérrez os substituiu com juízes aliados ao PRE e o PRIAN, de forma supostamente temporária.
Antes da destituição de Gutiérrez, o Congresso pretendia discutir as propostas do presidente e da oposição sobre os critérios para selecionar o tribunal.