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15 de abril, 2005 - 11h20 GMT (08h20 Brasília)

Família de cinegrafista morto quer novo processo contra israelense

Os familiares de James Miller, cinegrafista britânico morto quando fazia um documentário na Faixa de Gaza, querem novo processo contra o soldado israelense acusado de ter atirado em Miller.

Na quinta-feira, um juiz militar israelense encerrou processo disciplinar contra o militar, conhecido apenas como tenente H, por "uso impróprio de sua arma de fogo", segundo fontes militares.

O governo de Israel já tinha recusado autorização para que o tenente H fosse processado por homicídio.

A família de Miller se disse "insultada", acusou o Exército de ter acobertado o crime e ameaçou processar as Forças de Defesa israelenses.

Reunião

James Miller foi morto aos 34 anos, quando filmava um documentário no campo de refugiados de Rafah.

A irmã do cinegrafista disse que a família vai tentar revisão da decisão de não abrir processo criminal e também entrar com ação civil.

A embaixada israelense em Londres disse que a investigação foi uma das mais complexas já feitas pelo Exército, mas as evidências reunidas não foram suficientes "para que houvesse chances razoáveis de condenação, como requer a legislação criminal".

A secretária do Ministério das Relações Exteriores britânico, Baroness Symons, disse que vai seu reunir com o embaixador de Israel na Grã-Bretanha na segunda-feira para discutir o assunto.

A mulher de Miller, Sophy, fez um apelo à secretária para que pressione o governo israelense para que o soldado seja processado criminalmente.

'Grande risco'

Miller recebeu um tiro quando saía para filmar, antes do amanhecer.

Ele foi atingido no pescoço, entre o capacete e o colete à prova de balas que usava.

Colegas dele dizem que a sua equipe estava carregando uma bandeira branca e tinha se feito conhecer pelos soldados na região antes do incidente.

O Exército israelense manifestou pesar pela morte de Miller, mas disse que ele tinha "assumido grandes riscos por estar em uma zona de guerra".

A embaixada de Israel em Londres disse que as acusações contra o soldado foram arquivadas porque o tiroteio foi razoável "tendo em vista as condições operacionais e ambientais nas quais as forças de segurança estavam operando: ataques terroristas feqüentes, escuridão e naquela mesma noite, os soldados tinham sofrido ataques com mísseis".