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13 de abril, 2005 - 16h31 GMT (13h31 Brasília)

Premiê libanês não consegue formar governo e renuncia

O primeiro-ministro do Líbano, Omar Karami, anunciou que está novamente renunciando, após não ter conseguido formar um governo.

"Após muitas tentativas, chegamos de novo a um impasse", disse ele numa entrevista coletiva em Beirute.

O país vive uma crise política desde o assassinato do ex-premiê Rafik Harir, em 14 de fevereiro.

Karami chegou a renunciar uma primeira vez no final de fevereiro, após grandes manifestações da oposição cristã, contrária ao governo pró-Síria de Karami.

Eleições

A nova renúncia nesta quarta-feira pode impedir que as eleições se realizem em maio, como era previsto, já que o pleito precisa ser convocado pelo gabinete de ministros.

Karami disse que escreveu na segunda-feira uma carta pedindo desculpas ao presidente Emile Lahoud por não ter formado uma coalizão, mas que não anunciou antes duas decisão a pedido do presidente.

"Queríamos dar tempo para mais contatos (...) tentamos até o último momento soluções que ajudassem a formar o governo", disse Karami.

A oposição acusa Karami e seus simpatizantes ligados ao governo de Damasco de estar fazendo manobras políticas para adiar as eleições, na esperança de que a revolta do público decorrente do assassinato de Hariri diminua.

Entretanto, Karami afirmou que ainda há tempo para que as eleições sejam feitas em 31 de maio, data em que expira o mandato do atual Parlamento.

Muitos libaneses suspeitam que o governo do Líbano e seus patrocinadores sírios tenham envolvimento com a explosão que atingiu o carro de Hariri na capital libanesa – fato que é negado com vigor pelas autoridades.

Aniversário

Pela primeira vez desde o final da Guerra Civil libanesa (1975-90), a data do início do conflito – que completa 30 anos – está sendo comemorada em Beirute nesta quarta-feira.

Uma festival pela união nacional foi organizado pela irmã do ex-premiê assassinado, Bahiyya Hariri, e por Nora Jumblatt, mulher do líder druso de oposição Walid Jumblatt.

A correspondente da BBC em Beirute disse que os políticos aliados ao governo não compareceram ao evento, que é liderado por grupos de oposição.

A guerra civil começou com choques entre os cristãos libaneses e refugiados palestinos, antes de envolver outras facções e destruir o Líbano.