10 de abril, 2005 - 13h44 GMT (10h44 Brasília)
Integrantes de uma organização que dá suporte a vítimas de abusos sexuais anunciaram que vão fazer um protesto contra a decisão do Vaticano de escolher o cardeal Bernard Law para ministrar uma das nove missas, em memória do Papa João Paulo II que vão ser realizadas na segunda-feira, em Roma.
O cardeal foi escalado para rezar a missa do quarto dia dos novendiali, o período de nove dias em que serão realizadas cerimônias em Roma em homenagem ao pontífice falecido.
O cardeal Law deixou o posto de Arcebispo de Boston em 2002 sob acusações de que teria encoberto casos de pedofilia cometidos por padres.
David Clohessy, diretor nacional da Rede de Sobreviventes a Abusos Cometidos por Padres, criticou a decisão do Vaticano.
“É uma ação inacreditavelmente insensível que simplesmente atirou sal dentro de uma ferida muito profunda de milhares de vítimas de abusos e dos católicos americanos.”
Panfletos
Os manifestantes planejam distribuir panfletos na Basílica de Santa Maria Maior, onde o cardeal deve ministrar a missa.
James Post, presidente do grupo A Voz dos Fiéis disse que o Cardeal Law “continua a ser o símbolo vivo da mancha negra do papado de João Paulo II”.
Cardeal Law, no momento, dirige a Basílica de Santa Maria Maior.
A arquidiocese de Boston foi alvo de 450 ações na Justiça por supostos casos de pedofilia cometidos durante várias décadas e em 2003 pagou indenizações no valor de US$ 85 milhões após acordos com vítimas.
Cardeal Bernard Law foi acusado de ter apenas transferir os padres acusados de um cargo para outro e tomar outras medidas para abafar os casos, ao invés de procurar investigar as acusações e punir os eventuais envolvidos.
No final de 2002, após a repercussão negativa do caso, ele renunciou ao comando da diocese e fez um pedido de desculpas.
“Para todos aqueles que sofreram com minhas deficiências e erros, mais uma vez eu peço desculpas e imploro seu perdão”, disse o cardeal na época.