09 de abril, 2005 - 22h29 GMT (19h29 Brasília)
Soldados de Israel assassinaram três adolescentes palestinos, neste sábado, num campo de refugiados na Faixa de Gaza, no incidente mais grave desde a trégua decretada entre os dois lados em fevereiro, no Egito.
Testemunhas dizem que os garotos morreram quando jogavam futebol numa área vetada por militares israelenses, próxima da fronteira com o Egito.
Mas os militares israelenses dizem que os três adolescentes teriam ignorado tiros de advertência.
O Exército de Israel disse que está investigando o incidente.
Horas depois, palestinos dispararam morteiros em assentamentos judaicos em Gaza, mas sem causar vítimas.
Marcha
O líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, condenou os assassinatos e disse que eles são uma “grave violação da trégua", anunciada por Israel e pela Autoridade Palestina, no Egito.
“Os garotos correram para pegar a bola e foi aí que ouvimos o som de metralhadoras”, diz Ali Abu Zeib, 22 anos, morador de Rafah.
Segundo informações, duas das três vítimas teriam 14 e 15 anos de idade.
Um líder do grupo militante islâmico Hamas em Gaza, Saeed Siyan, afirmou que as mortes serão vingadas.
No entanto, outro importante grupo palestino, o Jihad Islâmico, disse que a trégua com Israel permanece de pé, mas pediu para que as facções palestinas reavaliem a situação.
O incidente acontece às vésperas de outro possível momento de tensão entre os dois lados.
Ativistas israelenses estão planejando para este domingo, em Jerusalém, uma marcha à Esplanada das Mesquitas ou Monte do Templo, como o local é conhecido por muçulmanos e judeus respectivamente.
O local, que fica na parte velha de Jerusalém, é considerado sagrado por israelenses e palestinos.
As autoridades israelenses decretaram a marcha ilegal.
Grupos militantes palestinos ameaçaram fazer uso de violência caso os manifestantes cheguem à mesquita de Al-Aqsa.