http://www.bbcbrasil.com

05 de abril, 2005 - 05h15 GMT (02h15 Brasília)

Execuções têm alta 'alarmante' em 2004, diz Anistia

O número de execuções aumentou de forma "alarmante" no ano passado, segundo a organização Anistia Internacional.

De acordo com a entidade, 3.797 foram mortas a pedido dos seus governos em 2004. O número é o segundo maior em 25 anos.

Desse total, 3,4 mil mortes ocorreram na China, fato que a Anistia considera "genuinamente assustador".

O Irã está em segundo lugar na lista dos países que mais executaram pessoas, com 159 casos, e o Vietnã, em terceiro, com 64.

Os Estados Unidos aparecem em quarto, tenao executado 59 pessoas em 2004.

O número, no entanto, vem caindo nos últimos anos. Segundo o jornal The New York Times, 144 sentenças de morte emitidas em 2003, o menor nível desde 1997.

No mês passado, uma lei americana aboliu a pena de morte para condenados que tenham cometido o crime quando tinham menos de 18 anos de idade.

Execuções em segredo

A Anistia ressalta que o número de execuções pode ser ainda maior porque nem todos os casos são divulgados.

"Muitos países continuam a executar pessoas em segredo", afirma a diretora da Anistia na Grã-Bretanha, Kate Allen.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse no mês passado que o governo vai melhorar o sistema de justiça para que a pena de morte seja administrada de forma "cuidadosa e justa", segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

"É bom ouvir as pessoas falando sobre mudar sistemas. Nós estamos ansiosos para ver os resultados", disse uma outra representante da Anistia, Sarah Green.

A Anistia diz que a pena de morte viola os direitos humanos fundamentais e nem sempre é aplicada corretamente.

Segundo Green, a maior parte das execuções acontece com pessoas que não podem pagar um advogado ou não conseguem testemunhas a seu favor.

"Há muitas provas de que essa punição não é perfeita."

Green elogiou a queda no número de execuções nos Estados Unidos, mas voltou a cobrar o banimento total da pena no país.