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05 de abril, 2005 - 19h49 GMT (16h49 Brasília)

China e Coréia do Sul criticam livros de história do Japão

O Japão aprovou uma série de novos livros de história para uso em escolas cuja versão de eventos passados já provocou queixas da Coréia do Sul e da China.

Um dos oito livros é uma versão atualizada de uma publicação anterior que gerou protestos diplomáticos em 2001.

O governo sul-coreano disse que os novos livros buscam glorificar o passado militarista do Japão, uma contínua fonte de tensão na área.

A iniciativa se segue a uma disputa entre o Japão e a Coréia do Sul sobre ilhas reivindicadas pelos dois países e protestos contra os japoneses na China.

"Glorificando" o passado

A embaixada sul-coreana no Japão disse em nota oficial que "a República da Coréia lamenta o fato de que alguns dos livros escolares de nível médio japoneses para 2006 (...) ainda tenham conteúdo que justifica e glorifica erros cometidos no passado."

Em Pequim, a China convocou o embaixador japonês e disse que os novos textos serão "veementemente condenados por povos de todos os países asiáticos vítimas do Japão".

O governo japonês, que diz que só pode pressionar para uma alteração dos livros se contiverem erros factuais, alega que a decisão sobre os livros a serem usados está a cargo de cada distrito escolar.

As escolas têm até agosto para tomar uma decisão. Os livros estarão à disposição de escolas de nível médio em abril de 2006.

Sentimentos feridos

O mais controvertido dos novos livros foi escrito por um grupo de historiadores nacionalistas chamado Sociedade para a Reforma de Livros Escolares de História, e sua primeira versão, publicada em 2001, levou Seul a pedir o retorno de seu embaixador por nove dias, em protesto.

O embaixador chinês no Japão fez críticas ao livro nesta terça-feira.

"Um livro escolar da editora Fushosha distorceu a história e feriu os sentimentos de povos da Ásia, inclusive da China", disse Wang Yi, segundo autoridades japonesas.

Segundo essas autoridades, a declaração foi feita em reunião com o vice-ministro do Exterior do Japão, Shotaro Yachi.

O governo japonês exigiu 124 modificações do livro, depois de reclamações em 2001. Elas foram apresentadas, mas o novo texto ainda contém elementos controvertidos.

Ele se refere a matança de cerca de 300 mil civis na cidade chinesa de Naquim, praticado por japoneses, como um "incidente" e não um "massacre", como é conhecido.

Este livro está sendo usado atualmente em menos de 0,1% das escolas do Japão, mas desta vez os autores esperam uma reação melhor a seu trabalho.

"Omissão de detalhes"

Há alegações de que os sete outros textos aprovados nesta terça-feira também omitem detalhes que os países vizinhos do Japão dizem serem necessários para um relato histórico equilibrado.

Apenas um dos livros cita dados sobre o número de civis mortos no massacre em Naquim. Os outros dizem que "muitas pessoas" morreram.

Um livro escolar de estudos cívicos aprovado nesta terça-feira também deverá causar polêmica por causa de ilhas cuja soberania é disputada por japoneses e sul-coreanos.

O livro diz que "a Coréia do Sul está ocupando ilegalmente" as ilhas, conhecidas como Dokdo na Coréia do Sul e Takeshima no Japão.

As tensões entre Japão e China aumentam. Empresas japonesas em duas cidades chinesas foram alvo, na segunda-feira, de protesto contra tentativas de Tóquio de obter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.