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04 de abril, 2005 - 02h22 GMT (23h22 Brasília)

Observadores apóiam resultado de eleições no Zimbábue

Observadores do sul da África endossaram o resultado das eleições parlamentares do Zimbábue, das quais saiu vitorioso o partido Zanu do atual presidente Robert Mugabe.

A Comunidade do Sul da África para o Desenvolvimento (SADC, na sigla em inglês) disse que o resultado refletiu a vontade do povo, mas outros monitores afirmaram que o pleito não foi livre nem justo.

O partido Zanu obteve dois terços das cadeiras do parlamento, o que permite que o presidente Mugabe altere a Constituição.

O principal partido da oposição, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), disse que as eleições foram fraudulentas e pede a realização de um novo pleito.

Os Estados Unidos lideraram as críticas à votação de quinta-feira. Mas correspondentes afirmam que o presidente Mugabe está apenas interessado na oponião dos africanos.

'Transparente'

Observadores da SADC afirmaram que a votação foi "pacífica, transparente, crível e bem administrada", apesar de eles terem expressado preocupação em relação à falta de acesso da oposição à imprensa estatal.

O partido Zanu obteve 78 das 120 cadeiras do Parlamento que estavam sendo disputadas, e o MDC conseguiu 41.

De acordo com a lei do país, o presidente tem o direito de nomear outros 30 parlamentares ao Parlamento, o que dará ao Zanu dois terços do total de 150 cadeiras.

O líder do MDC, Morgan Tsvangirai, pediu que um novo pleito seja realizado sob novas condições.

"Enquanto nós tivermos eleições sob as mesmas condições, não há como as eleições serem livres e justas", disse o porta-voz do partido, William Bango.

Bango afirmou que o líder do partido irá buscar um programa de alternativas políticas.

O partido não irá contestar o resultado nos tribunais, porque, segundo o porta-voz tentativas anteriores se mostraram infrutíferas. O MDC não descarta, no entanto, a realização de protestos e outros tipos de ação em massa.

Planos

O partido Zanu rejeitou as alegações de fraude.

"Estas foram as eleições mais livres e justas do mundo", disse o ministro da Justiça, Patrick Chinamasa à BBC.

Em 2000, o Zanu ganhou a maioria das cadeiras, mas não conseguiu os dois terços necessários para alterar a Constituição.

Mugabe sempre disse que gostaria de alterar a Constituição para estabelecer uma segunda câmara do Parlamento.

Críticos afirmam que ele quer encher essa segunda câmara com seus simpatizantes para aumentar sua influência quando ele se aposentar.