04 de abril, 2005 - 04h15 GMT (01h15 Brasília)
O número de mortes causadas pelo vírus Marburg em Angola subiu consideravelmente - para 146-, segundo o ministério da Saúde do país.
Pelo menos vinte mortes foram registradas desde a última quinta-feira.
A epidemia, que começou em outubro na província de Uige, é a mais séria já registrada pelo vírus Marburg, que causa febre hemorrágica.
Correspondentes dizem que o medo de que a doença, semelhante à provocada pelo vírus Ebola, venha a se espalhar pela capital Luanda é evidente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou 20 especialistas para Angola e está mandando equipes especializadas para os locais afetados.
Quase todas as mortes aconteceram na província de Uige, que faz fronteira com a República Democrática do Congo.
Cerca de 75% dos casos envolvem crianças com menos de cinco anos de idade. Entre as vítimas está uma médica italiana que estava tratando dos que haviam contraído o vírus.
O vírus Marburg tem uma taxa de mortalidade alta, e náo há cura conhecida.
'Perto de Melhorar'
Há temores de que a epidemia venha a se espalhar pela capital Luanda, 300 Km a sudoeste de Uige, onde várias pessoas morreram depois de chegar da província atingida.
Relatos vindos da capital dão conta de que as lojas estão ficando sem produtos domésticos, e muitos pais não permitem que seus filhos vão à escola.
"Todo mundo está com medo desse vírus. Nós não sabemos o que pode nos causar", afirmou o empregado de uma garagem, Antonio, à agência de notícias AFP.
Mas a representante da OMS para Angola, Fatoumata Diallo, disse que os pacientes de Uige estão sendo isolados e tratados.
"A situação está perto de melhorar", disse ele.
O número de mortos na epidemia de Angola já ultrapassa o registrado na pior explosão verificada até agora, na República Democrática do Congo, em 1998, quando 123 morreram.
Vários países adotaram medidas para tentar conter o avanço do vírus.
Os sintomas iniciais do Marburg são diarréia, dores de estômago, náusea e vômito, que depois se transforma em sangramento.
Mas especialistas afirmam que os sintomas são semelhantes aos da malária e turberculose, fazendo com que seja difícil a identificação de um caso.
A maior parte das mortes em Angola ocorreram entre três e sete dias depois dos primeiros sintomas, segundo a OMS.
Marburg não tem vacina nem um tratamento médico. A infecção foi identificada pela primeira vez em 1967 entre trabalhadores de laboratórios na Europa que haviam trabalhado com macacos.