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03 de abril, 2005 - 00h53 GMT (21h53 Brasília)

Assimina Vlahou
de Roma

Colégio dos cardeais assume o poder na Igreja

Com a morte do papa João Paulo 2º, o controle da Igreja Católica fica temporariamente nas mãos do colégio dos cardeais.

O órgão tem poderes limitados. Os cardeais vão cuidar da administração ordinária do Vaticano, preparar o funeral de João Paulo 2º e organizar o conclave –a reunião que definirá o sucessor do pontífice falecido.

Nesse período de vácuo de poder no Vaticano, dois personagens assumem as funções mais importantes no processo de escolha do novo papa: o cardeal camerlengo e o decano do colégio dos cardeais.

Atualmente, o cardeal camerlengo da Igreja Católica é o espanhol Eduardo Martinez Somalo. O decano do colégio de cardeais é o alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Anel de pescador

Além de cuidar da administração ordinária da Igreja, os dois devem convocar os cardeais de todo o mundo para os funerais do papa e para o início das discussões sobre a sucessão.

O cardeal camerlengo também é responsável por colocar em prática alguns dos ritos centenários que marcam os funerais dos papas.

Sua primeira função é reconhecer oficialmente o falecimento do papa e comunicá-lo aos católicos.

Depois disso, ele deve lacrar o apartamento do papa e retirar de seu dedo o anel de pescador, símbolo de São Pedro e do pontificado.

O anel é destruído, assim como a matriz usada para fazer os lacres de chumbo das cartas apostólicas e documentos papais. A intenção é evitar falsificações.

Durante a noite, o corpo do papa é preparado pelos médicos e vestido com os paramentos pontifícios.

Nove dias

Os papas são sepultados com roupas nas cores branca, vermelha (símbolo de luto) e preta (que simboliza a dignidade).

O corpo do papa é levado então pelos guardas suíços para a Basílica de São Pedro, onde os fiéis poderão prestar suas homenagens por três dias.

As exéquias em sufrágio da alma do papa duram nove dias consecutivos e chamam-se “novendiali”.

O sepultamento pode ser feito entre o quarto e o sexto dia após o falecimento do papa.

O último dos nove dias de exéquias é o mais solene e marca o adeus da Igreja Católica a seu pastor. As solenidades acontecem na praça de São Pedro.