01 de abril, 2005 - 07h50 GMT (04h50 Brasília)
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução proposta pela França que prevê o encaminhamento de suspeitos de crimes de guerra do Sudão para o Tribunal Penal Internacional depois de uma mudança radical de posição dos Estados Unidos.
A delegação americana concordou, depois de semanas de negociações, em não vetar a medida, depois de receber garantias de que nenhum integrante americano de operação de paz será processado.
Assim, a resolução foi aprovada na quinta-feira por 11 votos a favor e nenhum contra. Quatro países se abstiveram na votação: Estados Unidos, Brasil, China e Argélia.
Esta é a última de três resoluções do Conselho de Segurança formuladas para pressionar as autoridades sudanesas para que ponham fim à crise na região de Darfur, no oeste do país, onde milhares de civis morreram em combates entre milicianos apoiados pelo governo e rebeldes.
Sanções
Na terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o uso de sanções contra os responsáveis pelas atrocidades em Darfur.
A proposta americana, aprovada por 12 votos a 0, com abstenções de Rússia, China e Argélia, também pretende endurecer o embargo de armas ao país.
Será imposto o congelamento dos bens e a proibição de viagens a quem for considerado culpado de prejudicar o processo de paz em Darfur.
A resolução americana diz que o governo sudanês deve informar ao Conselho de Segurança se decidir enviar equipamentos militares a Darfur.
O embaixador sudanês na ONU criticou a resolução, dizendo que o conselho "não entende a história e a cultura do Sudão".
Ele também disse que a medida pode piorar a situação na região.
Na quarta-feira, a China anunciou que vai participar da missão de manutenção de paz no Sudão.
O porta-voz da chancelaria de Pequim, citado pela agência de notícias oficial Xinhua, disse que o país enviará engenheiros militares, médicos e equipes de transporte áo Sudão.
Janjaweed
A ONU diz que o Sudão forneceu armas a milícias árabes conhecidas como Janjaweed para que elas lutassem contra os rebeldes.
Os Janjaweed são acusados de estupros, assassinatos e saques.
O Sudão admite ter fornecido armas a algumas milícias para combater a rebelião, mas nega qualquer vínculo com os Janjaweed, a quem chama de "foras da lei".
O Sudão prendeu e condenou um pequeno número de integrantes dos Janjaweed por crimes em Darfur, mas não fez avanços significativos para desarmar as milícias árabes, como determinam as resoluções do Conselho de Segurança.