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31 de março, 2005 - 16h25 GMT (13h25 Brasília)

Itália volta a investigar atentado a João Paulo 2º

Autoridades italianas vão reabrir o inquérito sobre a tentativa de assassinato do Papa João Paulo 2º, em 1981, depois que a Bulgária prometeu acesso a documentos secretos.

Segundo reportagens publicadas pela mídia italiana, os documentos provam que o atentado foi planejado pelo antigo serviço secreto soviético, a KGB.

O serviço secreto da antiga Alemanha Oriental - o Stasi - e o serviço secreto búlgaro também estariam envolvidos; as alegações são de que agentes secretos búlgaros teriam recrutado o assassino de aluguel Ali Agca, que atualmente cumpre pena em uma prisão na Turquia.

Paolo Guzzanti, o líder de uma comissão parlamentar de inquérito especial, deve viajar para a Bulgária para examinar os documentos. Investigadores italianos também querem voltar a interrogar Agca.

Arquivos secretos

Metodi Andreev, ex-responsável pelo arquivo búlgaro, disse ao jornal italiano Corriere della Sera que os documentos - cerca de 1.000 cartas - ficavam guardados em uma sala com "portas e janelas seladas".

"É a intensa correspondência entre a Stasi e o Darzavna Sigurnost - o serviço secreto búlgaro", disse ele ao jornal.

Uma das cartas "era um pedido de agentes do serviço secreto búlgaro para que o Stasi fizesse o possível para exonerar a Bulgária, provar sua inocência diante do mundo e proteger os agentes búlgaros."

Perguntas sem respostas

A Bulgária manteve os documentos trancados desde então, mas no início da semana o porta-voz do governo Dimitar Tzonev disse que eles seriam entregues aos investigadores italianos.

Pouco depois do atentado foi revelado que Ali Agca havia viajado a Bulgária várias vezes, levantando suspeitas sobre o serviço secreto do país.

O juiz italiano Ferdinando Imposimato, que na época estava a cargo da investigação, disse à rádio italiana que ele acredita que Agca modificou sua confissão inicial, depois de ter sido intimidado.

"Acredito que Agca tenha falado a verdade, mas ele tentou sabotar o julgamento depois de ter sido intimidado por agentes secretos búlgaros e da KGB na prisão de Rebibbia, em Roma."

A Itália prendeu Agca pelo atentado, mas o perdoou em 2000. Ele então foi entregue às autoridades turcas.

Na quinta-feira Agca, que várias vezes disse ter sido instruído por Deus, afirmou que funcionários do Vaticano o ajudaram a planejar o atentado.

"Sem a ajuda de padres e cardeais, não teria conseguido cometer o atentado", teria dito ele ao jornali italiano La Reppublica.

"O demônio está no Vaticano", acrescentou.

O Vaticano, no entanto, nega a acusação.

"Isso é uma bobagem. Além disso, Ali Agca sempre foi o que escondeu em vez de revelar os fatos", disse o cardeal Roberto Tucci à Rádio Vaticano.