29 de março, 2005 - 09h49 GMT (06h49 Brasília)
A câmara alta do antigo Parlamento do Quirguistão, seguindo o exemplo da câmara baixa na segunda-feira, anunciou sua própria dissolução.
A decisão faz com que o Parlamento eleito em um polêmico pleito neste mês seja o único a continuar funcionando e resolve um impasse que vinha se arrastando no país centro-asiático nos últimos dias.
O presidente interino do Quirguistão, Kurmanbek Bakiev, disse que a decisão é “histórica” e que espera que ela “traga calma” para o país.
Desde que manifestantes derrubaram o presidente Askar Akayev na semana passada, o antigo e o novo Parlamento estavam disputando quem tinha o direito legítimo de funcionar.
Estopim
A eleição que definiu a composição do novo Parlamento foi o estopim dos protestos que culminaram na derrubada do governo, com opositores de Akayev afirmando que houve fraudes.
Logo após a tomada da capital, Bishkek, pelos opositores, a Corte Suprema anulou os resultados da votação e declarou que o antigo Parlamento manteria sua autoridade, mas o órgão eleitoral do país deu apoio aos legisladores eleitos em março.
Bakiev a princípio apoiou o antigo Parlamento, mas mudou de oposição depois que o novo o declarou primeiro-ministro.
Ele já havia sido designado primeiro-ministro interino, mas este anúncio aumentou sua legitimidade.
Bakiev disse que quer promover eleições presidenciais dentro de três meses, mas o presidente do novo Parlamento disse que a votação só pode ser realizada depois de negociações com Akayev, que não renunciou formalmente.
Não está claro onde Akayev se encontra. Bakiev disse que ele vai ter direito a todas as garantias legais caso volte ao Quirguistão.