29 de março, 2005 - 16h07 GMT (13h07 Brasília)
O presidente deposto do Quirguistão, Askar Akayev, insistiu que é o "único presidente legítimo" de seu país.
Em uma entrevista a uma emissora de rádio russa, Akayev disse que não viu motivo ou justificativa para renunciar.
Ele acusou a oposição de haver planejado tomar o poder em lugar de simplesmente realizar manifestações pacíficas.
Akayev fugiu do Quirguistão na semana passada, quando partidários da oposição tomaram o controle do palácio do governo depois de protestos por causa de recentes eleições parlamentares.
O presidente deposto disse à emissora de rádio que agora está na Rússia como um convidado do presidente Vladimir Putin.
Negociação
Akayev disse que está disposto a negociar com o novo Parlamento, mas só vai conversar com seu presidente, Omurbek Tekebayev.
Tekebayev reagiu, dizendo que deseja participar de negociações, mas só com o apoio do Parlamento, de acordo com a agência de notícias russa Interfax.
O presidente deposto não mencionou diretamente o nome de Kurmanbek Bakiev, indicado interinamente tanto para o cargo de premiê quanto para o de presidente desde a partida de Akayev.
Bakiev disse que deseja realizar eleições presidenciais em três meses, mas Tekebayev disse que a votação só pode ser realizada depois de diálogos com Akayev.
A câmara alta do antigo Parlamento do Quirguistão, seguindo o exemplo da câmara baixa na segunda-feira, anunciou sua própria dissolução.
A decisão faz com que o Parlamento eleito em um polêmico pleito neste mês seja o único a continuar funcionando e resolve um impasse que vinha se arrastando no país centro-asiático nos últimos dias.
Kurmanbek Bakiev, disse que a decisão é “histórica” e que espera que ela “traga calma” para o país.
Desde que manifestantes derrubaram o presidente Askar Akayev na semana passada, o antigo e o novo Parlamento estavam disputando quem tinha o direito legítimo de funcionar.