29 de março, 2005 - 21h01 GMT (18h01 Brasília)
O Parlamento de Israel aprovou na noite desta terça-feira o orçamento para 2005, abrindo caminho para o primeiro-ministro, Ariel Sharon, conduzir o seu plano de retirada de soldados e assentamentos israelenses da Faixa de Gaza.
Os integrantes do Knesset (o Parlamento de Israel) endossaram o orçamento por 58 contra 36 votos, com uma abstenção.
A votação era considerada o último obstáculo político para a retirada de Israel de Gaza. Se o orçamento não fosse aprovado até o dia 31 de março, eleições deveriam ser convocadas antes do recesso de seis semanas pelo qual entra o Knesset a partir desta data.
Com a sua posição no governo assegurada, Sharon pretende acelerar a retirada de todos os colonos e os soldados que os protegem de Gaza.
Autoridades israelenses darão aos colonos até a última semana de julho para aceitar compensações financeiras e deixar os assentamentos de forma voluntária. Caso contrário, serão expulsos.
Israel, no entanto, manterá o controle da fronteira, costa e espaço aéreo.
Polêmica
Opositores dentro do próprio partido de Sharon, o Likud, queriam rejeitar o orçamento, forçando o premiê a convocar novas eleições - numa tentativa de atrasar o plano.
Os colonos israelenses pediram pela organização de grandes manifestações contrárias ao plano de Sharon.
Em um comunicado, o conselho de Yesha, formado por colonos, afirmou que Sharon "evitou de forma brutal a possibilidade de os colonos decidirem sobre o assunto por meio de um referendo".
Os colonos alertam para a possibilidade de um "confronto violento e guerra civil".
Apesar da oposição dentro do Likud, o orçamento foi aprovado como o esperado, graças ao acordo que Sharon fez como o terceiro maior partido de Israel, o Shinui.
Na segunda-feira, o Parlamento rejeitou o pedido dos opositores de convocar um referendo sobre o tema.
Pesquisas de opinião vêm mostrando que a maioria dos israelenses é a favor da retirada de Gaza - ocupada por Israel, assim como a Cisjordânia e o leste de Jerusalém - desde 1967.
Os palestinos dão as boas-vindas ao plano de retirada de Gaza, mas criticam a permanência de colonos na Cisjordânia o que, segundo os palestinos, impede a criação de seu Estado.