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29 de março, 2005 - 14h06 GMT (11h06 Brasília)

Escolha de líder paralisa Assembléia iraquiana

A Assembléia Nacional do Iraque enfrenta um impasse em sua tentativa de escolher um presidente para a casa durante sua segunda reunião depois da histórica eleição no país, no final de janeiro.

Os representantes presentes à reunião nesta terça-feira, que começou com cerca de três horas de atraso, iniciaram uma acalorada discussão sobre a escolha do presidente da Assembléia.

Políticos xiitas e curdos, que dominam a Assembléia, prometeram dar aos sunitas o posto, num esforço de integrar no processo político essa parcela da população – que, em sua maioria, boicotou as eleições.

Mas após dias de negociações, os sunitas ainda não encontraram um candidato para o cargo, enfurecendo políticos de outras facções.

Em meio aos debates, as autoridades iraquianas decidiram suspender a cobertura da reunião pela TV, e jornalistas foram expulsos do Assembléia.

"Equilíbrio"

O próprio primeiro-ministro interino, Ayad Allawi, abandonou a reunião quando os debates começaram a se intensificar.

De acordo com a agência Associated Press, o presidente interino do Iraque, o sunita Ghazi Al-Yawer, recusou novamente a oferta para ocupar a presidência da Assembléia.

"Com o pequeno número de sunitas na Assembléia, este cargo não nos colocará em uma posição de equilíbrio", disse ele.

A escolha do presidente da Assembléia é o primeiro passo do processo que leva à indicação do presidente e do primeiro-ministro.

O ministro da Indústria, o sunita Hajem Al-Hassani, disse que os representantes sunitas na Assembléia "estão apresentando propostas (de candidatos) aos que estão ausentes da Assembléia Nacional. O problema é que aqueles que não estão na Assembléia não querem que candidatos lhe sejam impostos".

Os deputados devem votar a se reunir no domingo para tentar definir um nome.

Violência

A reunião ocorreu em meio a novos episódios de violência no Iraque.

Na cidade de Kirkuk, no norte do país, um carro-bomba matou pelo menos uma pessoa e feriu mais de dez.

Explosões também foram ouvidas na Zona Verde de Bagdá, onde funciona a embaixada americana e prédios do governo.

A agência de notícias France Presse informou que pelo menos dois tiros de morteiro foram ouvidos na área pouco antes do início da reunião da Assembléia Nacional.