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28 de março, 2005 - 10h54 GMT (07h54 Brasília)

Parlamentares param atividades para conter crise no Quirguistão

A câmara baixa do antigo Parlamento do Quirguistão aceitou suspender as suas atividades nesta segunda-feira.

Seu presidente, Ishenbai Kadyrbekov, disse que a medida estava sendo tomada em nome do interesse nacional, a fim de estabilizar a situação política no país.

Mas não está claro se a câmara alta do Parlamento vai fazer o mesmo e ceder o poder ao novo Parlamento, que foi formado como resultado das recentes eleições legislativas que estão na origem dos protestos que acabaram derrubando o governo quirguiz.

Negociações estão tomando lugar para tentar chegar a um acordo sobre qual dos Parlamentos vai continuar em funcionamento.

Salas separadas

Para um correspondente da BBC em Bishkek, a decisão da câmara baixa pode ser um primeiro indício de que os antigos parlamentares estariam dispostos a abrir mão de sua reivindicação de legitimidade.

Tanto o antigo como o novo Parlamento realizaram sessões nesta segunda-feira em salas separados do prédio-sede do Legislativo quirguiz.

No domingo, o comitê eleitoral do Quirguistão apoiou os deputados eleitos na contestada eleição de fevereiro.

O polêmico resultado dessa votação levou à deposição do presidente Askar Akayev. A oposição acusava o então líder do país de ter fraudado os resultados.

Na quinta-feira, a Suprema Corte do país havia anulado o resultado da votação e dito que os deputados com um mandato legítimo eram os que já detinham cargos no Parlamento.

O presidente interino quirguiz, Kurmanbek Bakiyev, apóia a decisão da Suprema Corte do país.

Mas o recém-indicado chefe da área de Segurança, Felix Kulov, dise que o mandato do parlamento anterior terminou e que o novo parlamento é legítimo, do ponto de vista legal.

Segundo um correspondente da BBC em Bishkek, a divergência entre o presidente interino e Felix Kulov pode indicar cisões futuras entre os principais líderes de grupos oposicionistas que agora controlam o país.

O principal órgão de segurança da Europa, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), está realizando intensos esforços para pôr fim à disputa pelo poder.

O chefe da entidade, Jan Kubis, já está no país para participar de negociações, e especialistas jurídicos devem chegar nos próximos dias.