28 de março, 2005 - 15h12 GMT (12h12 Brasília)
O novo Parlamento do Quirguistão confirmou a aprovação do líder interino do país, Kurmanbek Bakiev, como novo primeiro-ministro.
Segundo correspondentes no local, há sinais de que a disputa de poder está diminuindo. Nos quatro dias desde que protestos populares derrubaram o presidente Askar Akayev, dois Parlamentos rivais – a Assembléia antiga e uma criada após o levante – competiam por legitimidade.
A câmara baixa do antigo Parlamento do Quirguistão aceitou nesta segunda-feira suspender as suas atividades.
Seu presidente, Ishenbai Kadyrbekov, disse que a medida estava sendo tomada em nome do interesse nacional, a fim de estabilizar a situação política no país.
Após ser indicado como novo premiê, Bakiev também reconheceu o novo Parlamento como aquele com legitimidade para legislar.
Mas não está claro se a câmara alta do Parlamento vai fazer o mesmo e ceder o poder ao novo Parlamento, que foi formado como resultado das recentes eleições legislativas que estão na origem dos protestos que acabaram derrubando o governo quirguiz.
Salas separadas
Para um correspondente da BBC em Bishkek, a decisão da câmara baixa pode ser um primeiro indício de que os antigos parlamentares estariam dispostos a abrir mão de sua reivindicação de legitimidade.
Tanto o antigo como o novo Parlamento realizaram sessões nesta segunda-feira em salas separadas do prédio-sede do Legislativo quirguiz.
No domingo, o comitê eleitoral do Quirguistão apoiou os deputados eleitos na contestada eleição de fevereiro.
O polêmico resultado dessa votação levou à deposição do presidente Askar Akayev. A oposição acusava o então líder do país de ter fraudado os resultados.
O principal órgão de segurança da Europa, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), está realizando intensos esforços para pôr fim à disputa pelo poder.
O chefe da entidade, Jan Kubis, já está no país para participar de negociações, e especialistas jurídicos devem chegar nos próximos dias.