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22 de março, 2005 - 00h20 GMT (21h20 Brasília)

Camilla Parker-Bowles pode virar rainha, e Charles é criticado

Um parlamentar do partido do primeiro-ministro Tony Blair acusou o príncipe Charles de ser “menos do que franco” com a Grã-Bretanha no que diz respeito ao seu casamento com Camilla Parker-Bowles.

O comentário do trabalhista Andrew McKinlay foi feito depois que o Departamento de Assuntos Constitucionais britânico confirmou que Parker-Bowles vai se tornar rainha, caso Charles venha a suceder sua mãe, Elizabeth 2ª, no trono do país.

O príncipe havia anunciado anteriormente que Parker-Bowles iria se tornar princesa-consorte, e não rainha.

“Ele sabe que foi estabelecido em 1936 que a esposa do rei automaticamente se torna rainha, a menos que seja passada uma lei que diga o contrário”, disse McKinlay à BBC.

“Eu acho que o ele (príncipe Charles) está deliberadamente mantendo este casamento sob a cortina de fumaça de uma eleição geral.”

Morganático

Analistas acreditam que Blair pode convocar uma eleição ainda no primeiro semestre deste ano, possivelmente em maio, enquanto o casamento real está marcado para 8 de abril.

A confirmação de que Parker-Bowles terá o direito de se tornar rainha foi feita pelo ministro para Assuntos Constitucionais, Christopher Leslie, durante uma sessão na Câmara dos Comuns – a Casa Baixa do Parlamento britânico.

McKinlay perguntou durante a audiência se o casamento de Charles e Camilla Parker-Bowles seria “morganático” – um termo que significa que ela automaticamente não herdaria o título de rainha, caso seu marido ascenda ao trono.

Leslie respondeu que não era o caso.

Fontes do governo dizem que seria necessário aprovar uma lei para que isso acontecesse.

McKinlay observou, então, que a lei teria que ser aprovada por 16 Parlamentos em todo o mundo – todos os países nos quais Elizabeth 2ª ocupa a posição de rainha.

O parlamentar disse que uma mudança deste tipo “não deveria ser feita por um homem e um homem apenas” e que ela poderia alimentar o sentimento republicano em países como o Canadá, a Nova Zelândia e a Austrália, dos quais o soberano britânico também ocupa o posto de chefe de Estado.