19 de março, 2005 - 12h32 GMT (09h32 Brasília)
As mães e mulheres de dissidentes cubanos presos pelo governo de Fidel Castro fizeram uma passeata pelas ruas de Havana na sexta-feira.
A passeata das chamadas "Damas de Branco" marcou o início de um fim de semana de protestos pela passagem do segundo aniversário da prisão de mais de 70 dissidentes políticos.
O grupo de cerca de 30 mulheres, todas vestidas de branco e carregando flores, caminhou até o escritório do Sindicato dos Jornalistas de Cuba para pedir cobertura da mídia sobre o caso.
Em carta à diretoria do sindicato, elas criticam a mídia cubana por ignorar o assunto.
Em Cuba, a mídia nacional é mantida sob estrito controle do governo.
Opositores de Fidel Castro são freqüentemente descritos como contra-revolucionários e agentes dos Estados Unidos.
Modelo
Desde o ano passado, as Damas de Branco começaram a desafiar esse tipo de intimidação.
Elas seguem o modelo de pressão adotado por outros grupos, como as Mães da Praça de Maio, que iniciaram a manifestações pela localização dos desaparecidos durante o regime militar na Argentina.
As cubanas dizem que seu protesto não é político e que querem despertar a consciência das pessoas sobre o destino de seus entes queridos.
Pelo menos 14 dos dissidentes presos foram libertados no ano passado e observadores acreditam que a pressão dessas mulheres ajudou nesse processo.
Para outros analistas, esse é um sinal de que os protestos em Cuba estão se tornando mais ousados, estimulados provavelmente pelo apoio de simpatizantes no exterior e críticas ao governo por grupos de direitos humanos.
Na quinta-feira, a Anistia Internacional marcou o segundo aniversário das prisões com um relatório em que denuncia maus-tratos aos presos políticos.
Cuba nega que eles existam presos políticos no país, e diz que eles são mercenários pagos pelo governo americano.