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19 de março, 2005 - 19h46 GMT (16h46 Brasília)

Vaticano diz que 'demissão' de bispo argentino viola liberdades

O Vaticano alertou o governo da Argentina de que sua decisão de retirar o apoio ao bispo Antonio Baseotto, que era capelão militar, pode representar uma violação de liberdade religiosa.

O porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, disse que essa violação acontece quando um bispo legitimamente indicado pela Santa Sé é impedido de cumprir suas obrigações pastorais.

A declaração foi feita porque o governo argentino demitiu, na prática, o bispo, depois que ele disse que o ministro da Saúde, Gines Gonzalez Garcia, deveria ser "jogado ao mar" por apoiar o aborto.

Para o governo argentino, os comentários de Antonio Baseotto relembram o governo militar que jogou no mar críticos ao regime.

Tecnicamente, apenas o Vaticano pode demitir o bispo, que ocupa o posto por causa de um acordo entre Roma e o governo argentino.

Mas o presidente argentino, Néstor Kirchner, baixou novo decreto presidencial anulando o acordo existente.

Insustentável

O aborto é ilegal na Argentina e a prática pode ser punida com prisão.

Recentemente, o ministro da Saúde disse ser a favor da legalização do aborto.

O bispo respondeu que a posição do ministro fazia dele um apologista do assassinato.

Ele citou uma passagem do Novo Testamento, e disse que Gonzalez Garcia merecia um pedra pendurada no pescoço e ser "jogado ao mar".

Durante o regime militar que vigorou no país entre 1976 e 1983, opositores foram jogados ao mar nos que ficaram conhecidos como "vôos da morte".

O bispo disse que seus comentários foram tirados de contexto.

O Vaticano decidiu reafirmar a posição do bispo no cargo.

Em resposta, o chefe de Gabinete do país, Alberto Fernandez, disse que o governo argentino vai retirar formalmente o apoio ao bispo, suspendendo o pagamento de seu salário.

O correspondente da BBC em Buenos Aires, Elliott Gotkine, disse que a posição do bispo parece ter ficado insustentável.