17 de março, 2005 - 05h41 GMT (02h41 Brasília)
A indicação do subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz, para a Presidência do Banco Mundial foi recebida "com frieza" por governos europeus e organizações não-governamentais.
A escolha de Wolfowitz – considerado um dos principais integrantes da "linha-dura" do governo americano – foi anunciada pelo presidente George W. Bush nesta quarta-feira.
A ministra do Desenvolvimento da Alemanha, Heidemarie Wieczorek-Zeul, disse "não nutrir grande entusiasmo" por Wolfowitz, e a ministra da mesma pasta na Suécia disse estar "cética" em relação à escolha do presidente Bush.
O gabinete do presidente francês, Jacques Chirac, informou à agência Associated Press que havia recebido a notícia da indicação e que "a examinaria no espírito da amizade entre a França e os Estados Unidos e de olho na missão essencial do Banco Mundial a serviço do desenvolvimento".
Diversas agências de desenvolvimento e organizações humanitárias criticaram a indicação. Entre elas estão a ONG Amigos da Terra e o grupo Mobilização pela Justiça Global.
Eles alegam que o atual subsecretário de Defesa, que foi um dos principais proponentes da guerra do Iraque, carece de experiência em assuntos de desenvolvimento econômico para liderar a instituição, provedora de ajuda financeira para países pobres.
Wolfowitz reagiu aos ataques numa entrevista à agência de notícias France Presse: "Eu realmente acredito na missão do banco, que é reduzir a pobreza", afirmou.
Apoio
Mas também houve reações positivas à nomeação. O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, expressou o seu apoio a Wolfowitz.
Segundo a agência de notícias France Presse, Bush telefonou para Koizumi para informá-lo da sua escolha. O Japão é o segundo acionista da instituição, depois dos Estados Unidos.
O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, também apoiou a nomeação e descreveu Wolfowitz como uma pessoa "muito distinta".
A indicação tem que ser confirmada pelos diretores do Banco, mas, tradicionalmente, o governo americano sempre escolheu seu presidente, enquanto os europeus escolhem o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na entrevista coletiva em que anunciou a nomeação, Bush defendeu as credencias de Wolfowitz para liderar a instituição.
“Ele é um homem que se importa com desenvolvimento, um homem que tem compaixão, que é decente. Ele vai fazer um ótimo trabalho no Banco Mundial”, disse o presidente aos jornalistas, na Casa Branca.
Segundo Bush, a experiência de Wolfowitz no Pentágono vai ajudá-lo na presidência do banco.
“O Banco Mundial é uma grande organização, o Pentágono é uma grande organização”, afirmou.
Wolfowitz deve substituir James Wolfensohn, que deixa o cargo no dia 1º de junho depois de dez anos.
Ele não foi apoiado pelo governo americano para continuar no cargo.