15 de março, 2005 - 12h41 GMT (09h41 Brasília)
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, viajou à Síria nesta terça-feira para um encontro com o líder sírio, Bashar al-Assad, que não havia sido previamente agendado.
A viagem surpresa acontece num momento em que o governo de Damasco enfrenta pressões pela retirada de suas tropas do Líbano.
Na segunda-feira, cerca de 800 mil pessoas saíram às ruas de Beirute, numa manifestação contra a Síria convocada pela oposição.
As autoridades egípcias não apresentaram uma razão oficial para a visita de Mubarak.
Um correspondente da BBC em Damasco afirma que o encontro é visto como uma clara demonstração de apoio a Assad, que tem ficado politicamente isolado na região.
Retirada
Também nesta segunda-feira, os primeiros agentes de inteligência militar sírios começaram a ser retirados – eles saíram de seus postos nas cidades do norte libanês de Amyoun e Deir Ammar, informou a agência de notícias Associated Press.
Al-Assad prometeu entregar à ONU um cronograma completo sobre a retirada de seus 14 mil militares e agentes dos serviços de inteligência do país vizinho.
Mubarak já disse publicamente que é favorável à retirada síria.
As tropas já começaram a ser remanejadas no território libanês – grande parte delas foram transferidas ao vale do Bekaa, perto da fronteira sírio-libanesa. Estima-se que cerca de 4 mil soldados já tenham voltado à Síria.
O total de pessoas presentes na passeata contra a Síria na segunda-feira superou o de recentes manifestações a favor da Síria convocadas pelo movimento Hezbollah.
A marcha pode ter sido a maior da história do Líbano – há quem diga que um terço dos 3,5 milhões de habitantes do país compareceu à manifestação.
O ato aconteceu no dia em que se completava um mês do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Muitos no Líbano atribuem a responsabilidade pelo atentado que matou o ex-premiê à Síria, que nega o seu envolvimento no crime.