14 de março, 2005 - 16h26 GMT (13h26 Brasília)
Centenas de milhares de pessoas se reuniram em Beirute, no Líbano, nesta segunda-feira, em uma manifestação convocada pela oposição do país.
Um funcionário do governo da cidade, Mounib Nassereddine, disse à agência de notícias France Presse que o protesto contra a presença das forças da Síria no Líbano atraiu mais de 800 mil pessoas. A agência de notícias Associated Press divulgou a mesma estimativa.
Testemunhas dizem que o total de pessoas presentes supera o de recentes manifestações a favor da Síria convocadas pelo movimento Hezbollah e pode ser o maior da história do Líbano.
A manifestação acontece no dia em que se completa um mês do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.
Drusos, cristãos e sunitas
Os manifestantes se reuniram inicialmente na praça dos Mártires, onde está o mausoléu em homenagem a Hariri e onde normalmente ocorrem as manifestações.
Muitos no Líbano atribuem a responsabilidade pelo atentado que matou o ex-premiê à Síria, que nega o seu envolvimento no crime.
A passeata está sendo descrita por correspondentes no local como a maior já realizada pela oposição desde a morte de Hariri.
Além de integrantes das comunidades drusa e cristã do Líbano, muitos muçulmanos sunitas – Hariri também era sunita – se aliaram aos pedidos pela retirada síria.
Hezbollah
A manifestação desta segunda-feira é também uma resposta da oposição a grupos pró-Síria – principalmente a milícia e partido Hezbollah – que na semana passada reuniram 500 mil pessoas em Beirute a favor de Damasco e contra a interferência americana na política libanesa.
Os protestos organizados pelo Hezbollah continuaram em cidades do sul do Líbano, como Nabatyeh, no domingo.
Uma série de protestos iniciada após a morte de Hariri e a pressão internacional sobre o governo do presidente Bashar Al-Assad levaram a Síria a iniciar a retirada dos cerca de 14 mil militares que mantinha no país vizinho desde os anos 70.
Damasco ainda não revelou quando pretende completar a sua retirada – a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada no ano passado, exige que os sírios deixem o Líbano antes das eleições parlamentares de maio.