14 de março, 2005 - 15h44 GMT (12h44 Brasília)
O governo de Israel anunciou a rota que a barreira que está construindo na Cisjordânia vai ter nas proximidades de Jerusalém – e que vai isolar quase toda a cidade do restante da região.
De acordo com os planos, a barreira vai manter no lado israelense terras que são reivindicadas pelos palestinos.
A idéia é separar Jerusalém Oriental e o maior assentamento judeu da Cisjordânia, Maale Adumim, do resto da Cisjordânia.
O trajeto previsto também implica a divisão da cidade de Belém.
Os palestinos criticaram o projeto, dizendo que ele pode comprometer os esforços que estão sendo feitos para se retomar as negociações de paz.
Imposição
“Esta é uma política de imposição e não de negociação”, disse o negociador palestino Saeb Erekat.
Israel afirma que está construindo a barreira para impedir que militantes palestinos realizem ataques em seu território.
A questão de Jerusalém Oriental é especialmente delicada, já que os palestinos querem que ela seja sua capital.
Israel anexou a região, apesar de, pela lei internacional, ela ser considerada uma área sob ocupação.
O plano prevê também o isolamento de Maale Adumin, ainda que passagens vão ser criadas na barreira.
A comunidade internacional considera que todos os assentamentos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia são ilegais de acordo com as leis internacionais, mas Israel não concorda com essa interpretação.
A divisão de Belém fará com que o santuário do Túmulo de Raquel, sagrado para o judaísmo, permaneça no lado israelense.
Palestinos fizeram uma manifestação nesta segunda-feira contra a barreira, aglomerando-se em frente ao complexo do governo em Ramallah, na Cisjordânia, onde o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, estava em visita.
Eles cobraram o cumprimento de uma decisão da Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, de que a barreira é ilegal e deve ser demolida.